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Compensação Ambiental da Nova Marginal irá derrubar 8 mil árvores
28/10/2009
Especial Freeway - Durante toda a fase de obras da Freeway da Marginal Tietê traremos informações mostrando todo lado negativo dessa obra.

Mais uma "carrovia" do Rio Tietê
Desde 1995, existe em São Paulo um decreto do nosso atual Secretário Municipal de Esportes, Walter Feldman, que obriga toda nova avenida ou reforma de avenida, a introduzir uma ciclovia. Confira o artigo 5º do decreto:
Art. 5º - Os projetos e os serviços de reforma, para alargamento, estreitamento e retificação do sistema viário e das calçadas serão precedidos de estudo de viabilidade física e socioeconômica para a implantação de ciclovias.
O Decreto é claro, a ciclovia tem que ser feita na avenida, aonde a obra é feita, ou no mínimo ter um estudo de viabilidade, mas o governo não cumprirá a lei como já é praxe em todos os governos até então.
Em contrapartida, eles informam que farão uma ciclovia, dentro de um Parque Linear que começará no Parque Ecológico do Tietê e irá até a cidade de Salesópolis, na nascente do Rio Tietê, uma ciclovia com mais de 75 km.
Seria até uma ótima notícia, se isso fosse mesmo uma ciclovia, o que não é verdade. Veja o termo ciclovia, no Código de Transito Brasileiro:
CICLOVIA - pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.
E Ciclos:
CICLO - veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.
Pois bem, uma ciclovia com mais de 3 metros de largura seria mais do que suficiente para o ciclista e o impacto seria mínimo, veja a foto abaixo, de uma ciclovia construída em Brasília na Vila Metropolitana.

Foto: Denir
Notem que a ciclovia pode desviar das grandes árvores e causar o mínimo de impacto possível. Mas não será isso que irá ocorrer nessa “ciclovia”, proposta pela compensação ambiental da Nova Marginal. O que será feito é uma estrada para carros e não uma ciclovia. A estrada terá bem mais que 3 metros de largura e irá derrubar 8 MIL ÁRVORES, SÓ NO TRECHO DE SÃO PAULO.
Agora pergunto, pra que? Primeiro pra que falar que será uma ciclovia e não falar logo que será uma estrada, que irá rasgar enormes áreas preservadas de Mata Atlântica? Além do mais, já existem estradas para os carros chegarem a Salesópolis, aliás estradas sem acostamento e bem tensas para os ciclistas que querem pedalar até lá.
Eu já fui diversas vezes de bicicleta até Salesópolis e passei muitos apuros. Há um tráfego intenso de caminhões que vão retirar madeira em sítios cravados na serra do mar, para as empresas de papel e celulose. Uma ciclovia independente da pista dos carros seria uma benção e poderia salvar milhares de árvores , mas não será isso que teremos, conforme diz o Diário Oficial do dia 21 de outubro de 2009.

Ou seja, como compensação ambiental pelas obras da Marginal Tietê, milhares de árvores serão sacrificadas. “Ah, mas teremos compensação, da compensação, da compensação...”
Uma coisa é certa, não teremos ciclovia na marginal como manda a lei, não teremos ciclovia lá na casa do chapéu como o governo propagandeia, não teremos nosso Rio Tietê de volta, já que o governo não tem dinheiro para investir na terceira fase do Projeto Tietê que curiosamente custa 1.8 bi (menos do que os 1.9 bi que está custando a obra hoje), mas quem tem carro terá mais quilômetros de pista para estacionar as margens do Rio Tietê.
Isso sim é uma cidade justa, com um governo para todos (que tem carro).
André Pasqualini
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