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Pedal do Silêncio (Ride of Silence) em São Paulo
23/05/2008

Chegamos antes dos carros.
Não gosto de falar em mortes, quando pedalo pelas ruas da cidade simplesmente descarto essa hipótese, pode ser devido a esse fato que há muito tempo não sofro um acidente e tão pouco tive acidentes sérios nesses mais de 15 anos de pedaladas por essa cidade.
Apesar de a bicicleta ser, devido aos números o modal mais seguro para se andar, temos que lamentar que, a maioria dos acidentes fatais envolvendo ciclistas poderiam ter sido evitado caso os motoristas envolvidos tivessem a mínima preocupação em proteger o ciclista.

Logo depois eles chegaram. Disseram que ficaram presos no trânsito.
Uma vez por ano ocorre o Ride of Silence e pela primeira vez a cidade de São Paulo participou do evento. Nesse ano 293 cidades ao redor do mundo organizaram suas manifestações, sendo que no Brasil apenas São Paulo e Belo Horizonte fizeram sua versão.
Em São Paulo a concentração ocorreu na novíssima Ponte “Estagnada” (Estaiada), o maior exemplo da prioridade dos nossos governantes. Levantou-se 230 milhões de reais para a Operação Urbana Águas Espraiadas que deveriam ser gastos na região. A prefeitura tinha duas possibilidades, uma seria construir uma ponte ligando um congestionamento a outro ou construir 8500 unidades populares para as pessoas da região que vivem em condições para lá de indignas. Nem preciso falar qual foi a opção dos nossos governantes.

Encenação de uma dificil realidade.
Numa sociedade extremamente motorizada como a nossa, os resultados não demoram a aparecer. A cada ano os veículos ficam mais velozes, temos carros que alcançam uma velocidade de até 200 km/h para ruas onde a velocidade ideal seria a de 30 km/h.
As propaganda procuram enaltecer a potencia e a segurança, para as pessoas de dentro deles, é claro, deixando para os de fora as conseqüências. Em 2006 tivemos 1487 mortes no trânsito de São Paulo. Desses, quase metade foram de pedestres (734), depois motoqueiros (380), motoristas e passageiros (289) e por último ciclistas, com apenas 84 mortes.

Pra onde querem nos levar?
Segundo os órgãos de segurança no trânsito, a grande maioria das mortes dos motorizados é culpa deles mesmo, fruto de imperícia, excesso de velocidade, embriagues, etc... Já os atropelamentos de ciclistas e pedestres, são culpa de quem? Também dos próprios motorizados.
Tirando uns casos claros de tentativas de suicídio, quase a totalidade dos acidentes poderiam ser evitados pelos motoristas, que por lei tem esse dever. Mas em uma cidade onde os pedestres dão preferência aos carros, uma simples mudança de comportamento que esses números caíssem pela metade.

Motivo suficiente para respeita-los.
O mesmo vale para os ciclistas, leis que os protegem não faltam, mesmo assim muitos motoristas colocam sua pressa acima de qualquer coisa, até mesmo daquela vida que pedala para melhorar a nossa cidade.

Exemplo de como usar o espaço público.
No dia 21 de maio fizemos um apelo aos motoristas, que eles passem a observar com mais atenção a vida que existe fora dos carros. Ao observar um ciclista reduza a velocidade e ultrapasse com uma distância segura.
Se alguém estiver tentando atravessar uma rua, dê a preferência a ele, preste atenção na cidade, nas pessoas, na vida. Proteja essa vida, não espere os outros mudar, comece a mudança por você.

Respeite a vida, pode começar pela sua.
Fotos, relatos, videos e links:
Apocalipse Motorizado
Falansterios Relato e Fotos
Vá de Bike - Video "Vá trabalhar vagabundo"
Jornal da Tarde - Matéria
Luddista - Fotos
Site Oficial (Ride of Silence)
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