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Cuidado, no Brasil é muito mais perigoso andar pelado do que matar alguém atropelado

15/06/2008 - ultima edição 17/07/2008

Peço desculpas aos que leram o texto com o título antigo (Fui vítima de uma armação) mas esse título é bem melhor. Quanto ao texto, esse é dinâmico e será atualizado sempre que houver novidades.


No Brasil, caso você atropele alguém, não se apavore, primeiro, confirme para ver se realmente a pessoa esta morta. Se não estiver, termine o serviço, passe novamente em cima, dê um jeito. Só não use arma de fogo, pois isso pode te trazer complicações. Depois ligue para o resgate. Se tiver muita cara de pau, vá até o velório, se solidarize com a família e diga “Sinto muito pelo acidente”. Fácil, o assassinato já virou um “acidente” e você é um homem livre. Agora cuidado, não fique pelado, pois nesse caso a polícia é IMPLACÁVEL.


Como assim eu fui o único nu? Foto: Outra Política

Segue a mais recente atualização da página, o vídeo que a Renata Falzoni produziu para a ESPN Brasil sobre o World Naked Bike Ride em São Paulo.



Todo “ativista de carteirinha” esta preparado psicologicamente para um dia ser preso, ainda mais no Brasil onde nossa PM ainda esta repleta de Oficiais nostálgicos da Ditadura, de uma época que liberdade de expressão era coisa de vagabundo. Os tempos mudaram e as formas de opressão policial também mudaram, hoje sabemos que suas técnicas visam desmoralizar lideranças, desestabilizar movimentos, ainda mais movimentos pacíficos e sem lideranças como os similares as Bicicletadas.

Não há pela alta patente da PM uma preocupação com o bem estar dos manifestantes, tão pouco com a imagem que infelizmente será exposta do Brasil ao redor do mundo. Enquanto nós vemos imagens do World Naked Bike Ride de peladões pedalando ao lado de policiais, sem o menor problema, a imagem nossa que esta circulando o mundo é a do “Chute no Saco” do PM em um cidadão pelado. Opressão aos fracos é uma especialidade da nossa polícia, infelizmente não vemos o mesmo rigor com os traficantes e PCCs da vida. Porque será?

No caso da “Bicicletada Pelada”, conhecíamos os riscos, mas o que estávamos cometendo ali era uma “Desobediência Civil”. Consiste em desobedecer a uma lei com a qual não concordamos, de maneira pacífica, sabendo que poderíamos ser presos. Nesses casos a prisão é até motivo de orgulho, até nosso governador já foi preso e tenho certeza de que ele não se arrepende por isso. Quem quiser ir mais além do significado de Desobediência Civil, clique nesse post prá lá de interessante do Blog Gira-me.

No decorrer do meu texto, vou basicamente provar que, a minha prisão não passou de um “espetáculo” armado pelo Major Benjamim Francisco Neto, que desde que chegou na Praça tinha um único objetivo, o de prender quem ele imaginava ser o “cabeça” da manifestação. Tanto é que a desculpa que ele deu para a mídia é que só me prendeu porque eu era o “único ciclista nu” na avenida. Mentira que não vou precisar de muito esforço para confirmar, que aliás, ele mesmo vai confirmar com a seguinte frase: “Eu não falei que ELE ia preso? ELE foi!



Ele estava tão convicto de que iria realizar esse objetivo que não mediu esforços e tão pouco se deu ao trabalho de preservar a integridade física das pessoas a minha volta, com direito a “chute no saco de ciclista nu” e pimenta na cara de todo mundo. No final foi mais na cara dos jornalistas. Aliás, alguns ali mereceriam coisas piores do que pimenta na cara.


Ação da Polícia no WNBR de Londres


Polícia escoltando a massa em Montpelier (EUA).


No Brasil era para ser assim. Foto: Polly


Mas terminou assim. Foto: André Penner/ Associated Press: Imagem tirada dessa matéria do Estado de São Paulo

Enquanto nós do Brasil vimos diversas imagens de ciclistas nus por todo o mundo, confraternizando com a população, até com a polícia, essa foi a imagem do Brasil “que o mundo viu”.


Enquanto isso, em Londres, apesar de ficar nu também ser crime, nenhum ciclista foi preso. Detalhe, os que passam "com roupa" são policiais.

Esqueçam o que “grande e podresosa mídia” escreveu ou mostrou, a maioria mentiu ou “esqueceu” de informá-los sobre os reais acontecimentos da Paulista. A IMENSA maioria, principalmente dos cinegrafistas e fotógrafos estavam lá para pegar cliques de mulheres nuas e poucos preocupados em fazer jornalismo. Segue aqui uma seqüência com frases da semana, ditas por fotógrafos da nossa “Grande Mídia”:

"Tô esperando você tirar"

"Você é bem da horinha"

"Vai! Não vai tirar não????"


Carne para carniceiros??? Foto: Polly

Como podemos notar, as informações que chegam até nós estão em mãos de pessoas com a mais alta credibilidade, portanto podemos confiar sem medo.

Apesar de o CicloBR ser uma criação minha, sempre procurei dedicá-lo exclusivamente a bicicleta, mas hoje peço desculpas aos meus leitores, pois vou usar esse espaço, também para a minha defesa. Apresentarei a minha versão sobre os fatos que ocorreram esse dia. O texto é longo, mas extremamente detalhista, inclusive, “dando nomes aos bois”.

Antes do DMSC (Dia Mundial Sem Carro) de 2007, a nossa maior Bicicletada havia ocorrido com 80 ciclistas no máximo, portanto nem chegávamos a incomodar a polícia. Mas depois do DMSC, quando fizemos uma enorme bicicletada com quase 400 ciclistas, finalmente as motos da Rocam apareceram. O resultado poderia ser trágico, mas se limitou a alguns ciclistas derrubados pelos motoqueiros, soldados sem nome na farda, tentativas de agressões a civis, isso tudo mesmo com a presença do Secretário Eduardo Jorge e da Vereadora Soninha, pedalando com a Massa.


Quem atrapalha o trânsito? Foto: Fourier's


Qual o seu nome doutor? Não consigo ler. Foto: Polly

Após o DMSC, passaram-se nove Bicicletadas e os policiais daquela região foram se acostumando, perceberam que a Bicicletada é um movimento pacífico e no final desistiram de fazer escolta para nós. Tanto é que nas Bicicletadas de 2008, em todas tivemos entre 150 a 250 ciclistas e em nenhuma tivemos escolta das motos da PM, no máximo uma viatura ao fundo observando a manifestação.

Depois que começamos a divulgar a data e local do evento, devido à repercussão criada pela própria mídia, já previmos que teríamos a participação de muitos ciclistas no WNBR. Não sabia que isso também iria influir dentro da PM chamando a atenção de muitos caciques para o encontro. Como o CicloBR era um dos divulgadores desse encontro, no dia 12 de junho recebi uma mensagem de um Capitão da PM chamado Rosendo, pedindo informações sobre trajeto, quem estava organizando, essas coisas.

Na mesma hora coloquei isso em discussão na Lista da Bicicletada, alguns disseram para eu nem responder, mas “o trouxa” aqui acreditou que havia realmente uma preocupação da PM em proteger os manifestantes. Como os policiais que costumam a cobrir nossos eventos já estavam acostumados conosco, dei uma resposta ao capitão, explicando que não havia uma organização, que eu era apenas mais um participante do encontro, mas iria colaborar com informações baseadas na minha experiência de participantes desses encontros e passeios ciclísticos pela cidade. Clique aqui para ler o texto completo do email. Notem que até sugeri no email para não mandarem motos e sim PMs de Bicicleta para escoltar o pessoal, o que chegou a ser feito.

No dia seguinte recebi um novo email, agora de um Major PM Wagner, agradecendo as informações, mas pedindo um telefone, pois gostaria de conversar comigo pessoalmente. Mais uma vez “o trouxa” aqui fez o que me pediram, não consegui falar com esse Major Wagner, mas ficaram com meu telefone.

Chegou então o grande dia. Saí de casa apenas com a bermuda de ciclista, para ir entrando no clima e fui pedalando até a casa da Renata Falzoni. Lá eu tirei a bermuda e coloquei a minha “tanga” feita de capas de revista, fomos então pedalando até a Praça do Ciclista. Cheguei lá por volta das 11 horas da manhã, fui praticamente o primeiro ciclista a chegar. Logo mais alguns ciclistas foram chegando e fui me sentindo mais à vontade.


Major escolhendo quem ele iria prender. Tirada do Blog do Me leva Brasil. Foto: Kubrusly

Tocou o telefone e era esse Major BENJAMIM FRANCISCO NETO, querendo falar comigo. Ele foi até a praça, me perguntou aquelas coisas básicas de quem esta organizando e coisa e tal. Dei a nossa resposta básica de que não existem organizadores, que é um movimento horizontal, sem lideres, blá, blá, blá. Deve ser muito difícil para um Militar compreender o que é um movimento horizontal, onde não existe hierarquia, um sistema auto-organizável. Mas ele disse que havia compreendido e que estava lá para coibir abusos e para a nossa própria proteção.


Foto: Polly

Reforcei novamente que aquilo era um movimento horizontal, um espaço democrático, onde todos têm o direito de fazer o que quiserem, de se manifestarem como acharem melhor, e que ninguém tem poder para impedir alguém de participar. Aquilo era um encontro de pessoas, só isso e sou apenas mais um dos participantes. Disse também que ficaria muito feliz se ele prezasse pelo bom senso e o diálogo acima de tudo, já que era um movimento pacifista, que o nu era uma maneira de mostrar o quão somos frágeis nesse sistema viário e que não havia nenhuma conotação erótica. Isso sim ele me garantiu que iria fazer, que agiria com bom senso... Como sou tolinho, mal sabia que ele estava só esperando o momento para me pegar para Cristo.


Foto: Polly

Estranhei que mesmo assim, a todo o momento um policial vinha até a praça pedir informações para nós. Sempre pedindo o RG, hora para mim, hora para o ciclista ao lado e sempre soldados diferentes. Eu disse a um PM, “Já passei meu RG a outro policial” e ele respondeu, “eu sei, mas tenho que anotar, são ordens, é que hoje temos aqui muito cacique pra pouco índio”.

Eu estava sim com muita vontade de ficar totalmente nu, aliás é como eu me sinto todos os dias nessa cidade que só respeita o “motor”. Seria a minha maneira de protestar e chamar a atenção contra toda agressão gratuita que recebo diariamente. Mas não seria o primeiro de maneira nenhuma. Aliás estava rolando uma “combinação” de que depois que começasse o pedal, muitos começariam a tirar a roupa.


Foto: Polly

Durante a concentração a Praça logo ficou completamente lotada, havia muita mídia e muitos curiosos. Sabia que também havia a parte podre que só quer saber de confusão, aqueles que quanto pior melhor, mas esse era um risco calculado.


Foto: Polly

Havia muita gente mesmo na praça, sabemos que temos mais de 200 ciclistas quando, durante o aquecimento, aquela tradicional pedalada em volta da Praça do Ciclista, o começo da turma se encontra com o final fechando o cordão de ciclistas em torno da Praça. Mas desta fez foi diferente, não só fechamos esse anel como também rolou um “congestionamento de bicicletas” tomando todas as pistas da Paulista.


100 ciclistas só nessa foto... Foto: Polly

Saímos pedalando e garanto, havia no mínimo 500 ciclistas na Paulista, sei disso, pois no Dia Sem Carro de 2007 chegamos a 350 ciclistas (contagem um a um) e conseguimos ao menos liberar duas pistas para os carros passarem, mas desta vez não teve como, a Massa ocupou as 4 vias da avenida. Um canal de “podrerosa” mídia chegou a dizer que haviam só 100 ciclistas. Sem comentários.


Renata Falzoni a primeira a ficar nua. Foto: Polly

Logo na saída, a Renata Falzoni tirou o que faltava, bem em frente dos policiais. Isso estimulou a muitos fazerem o mesmo. Uma garota desceu da Bicicleta no meio da Paulista e tirou toda a sua roupa. Os peladões se multiplicaram, foi quando me lembrei da conversa que eu tive com o Major, sobre aquela “promessa” que ele agiria com “bom senso”. Realmente estava agindo já que eu não percebia nenhuma reação dos policias ao ver a galera pelada tomando conta da Paulista. Só agora eu percebo que essa era a isca, armaram para que eu me sentisse à vontade, estava tudo planejado.


Depois foi um festival dos pelados. Foto: Polly

Quando estava na altura do Masp, eu tirei minha tanga e fiquei como nasci, estava muito à vontade, pois não era o único mesmo, naquela altura, já haviam uns 50 pelados, no mínimo, foi quando comecei a perceber alguns tumultos no final do pelotão. Disseram-me que alguns policiais de moto abordavam ciclistas nus e os mandavam colocar a roupa. Fiz o mesmo, coloquei minha tanga e fui até o final para ver o que estava acontecendo e meu amigo Hugo me confirmou.


Mais pelados. Foto: Polly

Mais à frente a Massa ficou mais compacta. O pessoal de dentro da massa começou a pedir aos pelados que andassem juntos no meio do grupo. Eu estava lá junto com eles e notei que os policiais não estavam mais mandando as pessoas colocarem a roupa, continuaram ignorando a gente. Foi quando caí na besteira de me juntar ao grupo, com a Tanga na mão fiquei pedalando no meio de uns 30 pelados, já que nem todos estavam agrupados.


A polícia liberou? Foto: Polly

A recepção do pessoal não poderia ser melhor, carros parados (como sempre) do outro lado da avenida com motoristas rindo, acenando, tirando fotos pelo celular, vi pais com seus filhos na calçada acenando aos peladões, pais com crianças pedalando no meio da massa, só havia manifestações de apoio, palmas. Pode ser até que alguém não achou legal aquilo, mas deve ter guardado para si. Aos gritos de “Quem gosta de bike buzina” os motoristas parados no trânsito do outro lado da via começavam um buzinaço.

No meio dos pelados, comecei a falar com a Renata Falzoni e comentando sobre a alegria que estava sendo aquele passeio, apesar dos contratempos até então, foi quando eu percebi uma viatura encostando, de onde saiu o Major BENJAMIM FRANCISCO NETO, com um monte de PM vindo em minha direção. Como estava com a Tanga na mão, na hora cobri minhas genitais. Mesmo tendo um monte de pelados a minha volta ele se dirigiu somente a mim. Com um sorriso estampado no rosto dizendo, “Você esta preso” arrancando a minha tanga e me deixando completamente nu na paulista. Sendo agarrado por um monte de policiais, não acreditava que aquele inferno estava acontecendo.


Pimenta para afastar a imprensa, nesse caso até concordo. Foto: CMI

Só então começou a cair a ficha, até então achava que não teriam coragem de prender um ciclista apenas, me sentia seguro rodeado de pelados, mas eles não queriam em nenhum momento prender todo mundo que tirasse a roupa, estavam esperando apenas o momento que eu tirasse. Por isso que ignoraram os primeiros pelados para que eu achasse que eles seriam civilizados e deixariam a manifestação acontecer naturalmente.

Depois disso começou a confusão, muitos ciclistas se afastaram, a mídia tomou conta da rua, um ou outro ciclista tentava chegar até mim. Mas acho que esse Major deve ser sócio dessa fábrica de pimenta, segundo ele os ciclistas estavam o atacando com as Bicicletas, por isso usou o gás. Só porque fazemos aquele movimento tradicional da Bicicletada de erguer as bicicletas no ar, algo que ele nunca tinha visto pois nunca se preocupou em saber maiores informações da Bicicletada, precisou a gente dizer que iria andar pelado para que ele nos desse atenção, é mole? Detalhe, em todas as imagens do gas e das agressões, em nenhuma imagem tem alguém erguendo a Bicicleta.


Tradicional levantamento de bicicletas, que o Major disse ter sido contra ele. Foto: Polly

Já o “Chute no Saco” de um pelado foi devido ao perigo que um homem pelado pode trazer a um policial fardado e com colete a prova de bala, tudo não passou de procedimentos de rotina, sem excessos, para que a ordem fosse mantida.

Fui levado para a delegacia e no carro me deram um cobertor. Perguntei, “Porque só levaram um? Porque só havia um cobertor?”. Claro que o Major poderia ter parado na frente de todo o grupo, conversado com o pessoal dizendo “Pronto pessoal, sabemos que é uma manifestação pacífica, vocês já conseguiram chamar a atenção, mas, por favor, vamos colocar as roupas, do contrário a gente terá que deter os que ficarem pelados”.


Ciclistas nus trazem perigo a sociedade. Foto: Pedalante

Ou mesmo ter cumprido a lei a risca e ter levado todos os pelados para a cadeia. Poderia ter colocado um caminhão lá na frente da Paulista e a cada pelado que passasse ele jogasse dentro do caminhão, levando todo mundo para a delegacia. Iríamos todos numa boa, pois sabíamos que esse risco existia.


Primeiro mundo não é Pais rico. É pais civilizado.


E inveja, até "Ambulância" de bike.

Mas ele não queria isso, ele nunca esteve preocupado com a segurança dos participantes. Ele chegou na praça com um plano totalmente traçado. Isso ficou claro quando a Renata Falzoni, que estava gravando a entrevista comigo disse, “Então me prende também!” e o Major disse “Você não!”. Porque ela não? Porque senhor Major BENJAMIM FRANCISCO NETO?

Porque ele queria a mim, seu objetivo era o de me humilhar em público, apenas isso. Mas por que? Que eu fiz a ele? Nada demais, fui apenas o “escolhido”, e tenho quase certeza que essa escolha foi feita assim que respondi aquele maldito email. Desde então, tudo foi uma questão de estratégia e tempo para que eu caísse na armação e fosse detido. Não sei se eles tinham um plano B, mas se eu tivesse ficado o tempo inteiro com a Tanga, é bem provável que nada tivesse acontecido.

Por isso vou deixar aqui minhas acusações, o MAJOR BENJAMIM FRANCISCO NETO MENTIU. MENTIU quando disse que “fui o único a ficar nu”, Mentiu quando disse que usou o gás para se proteger, pois estávamos “Erguendo as bicicletas para atacá-lo”. Mentiu quando disse que estava lá para “nos” proteger. Mentiu para a imprensa ou para quem quer que seja dizendo que eu era o organizador. Mentiu também quando disse que havia feito um “acordo” com os ciclistas.

Mentiu quando disse não toleraria alguém nu. Sim, porque ele tolerou todos os demais homens e mulheres nuas. Além de tudo foi covarde, pois ele poderia ter falado desde o começo que eu era o alvo, que ele não toleraria apenas a minha nudez. No vídeo do Pânico isso fica muito claro, logo depois que ele me prendeu, procurou o “Lula” no meio da confusão e disse: “Não falei que ELE ia preso? ELE foi!

Aliás nada mais me espanta nessa vida, se ele não combinou quando e como ele faria a prisão, pois tomávamos quase 4 quadras da Paulista, mas todas as emissoras estavam lá bem na hora que ele chegou.


1ª Pedalada de São Paulo 2008 (World Naked Bike Ride) - (blogkampa) from Kampa on Vimeo.
Video "obsceno" que foi excluido do Youtube por motivos ainda não explicados. Assista e veja o quão ele é "obsceno".

Se você é como muitos que não confiam na "Grande Mídia", mas querem saber o que realmente aconteceu, aguardem a matéria que a Renata Falzoni irá produzir para a ESPN Brasil. Se não tem tv a cabo, fique tranqüilo que gravarei e nessa mesma página irei disponibilizar o vídeo. Não acreditem em tudo que aparece aí, foram poucas as mídias (dá pra contar nos dedos de uma mão) que fizeram alguma uma cobertura séria sobre o evento.

Apesar de tudo, eu fiquei feliz com o resultado. Não pela repercussão falsa e mentirosa de grande parte da mídia. Mas pela grande adesão dos ciclistas, pois até ela ser estragada por esse major, havia sido a Bicicletada mais linda que participei. A reação do povo foi fantástica, mostra que ao contrário do que muitos falam, a grande maioria da nossa população sabe muito bem diferenciar um protesto pacífico de uma “baderna” como alguns infelizes colocaram.

Fiquei muito contente também quando lá de dentro da delegacia comecei a ouvir “O Delegado, libera o pelado”, sei que aconteceria a mesma coisa se tivesse ocorrido com outro ciclista, mas isso mostra a essência de um movimento horizontal, sem lideranças, onde é “obrigação de todos cuidarem de todos”, muito diferente do lema entre os motorizados onde impera o “Sai da frente pau veio”.

Nos textos anteriores, eu estava dizendo que não iria entrar com uma ação ou coisa parecida contra Major, mas algo tem que ser feito. A polícia já esta mais do que na hora de mudar, parece até juiz de futebol que na final do Campeonato faz lambança só para aparecer. Esse Major tem que ser punido pela desastrosa e covarde ação contra a população.

Ainda continuo com a opinião de que não quero mais papo com a PM. Apesar de ter visto que era nítido que a maioria dos PMs não concordavam com a truculência, eles não tem muito o que fazer. Eu nunca seria um PM, pois jamais aceitaria participar de um jogo sujo como esse, só para um Major aparecer. Colocando em risco a minha integridade e das pessoas ao meu redor, como ocorreu naquele sábado.

Quem me conhece sabe muito bem como sou, prefiro confiar nas pessoas, jamais imagino que alguém que venha, de peito aberto, falar comigo, seja alguém que esteja tramando algo covarde contra mim. Meu erro foi acreditar que as pessoas são sérias até que me provem o contrário. O que esse major fez foi à coisa mais covarde que presenciei em toda a minha vida. Lamento muito pois, partir daquele dia eu tenha que mudar meu modo de tratar as pessoas que chegam a mim, só por causa dessa atitude nefasta.

Embora seja muito difícil, vou tentar ser o mesmo, pois sendo assim foi que eu conheci pessoas maravilhosas, centenas, ou até mesmo milhares de amigos. Consegui casar com uma mulher maravilhosa que me deu um filho lindo e que hoje esta sofrendo muito com toda essa situação. Como um carma que é viver com uma pessoa que não consegue se inconformar com injustiças, que gasta todo tempo livre tentando fazer algo pelo coletivo, sem nunca ter ganhado um real com tudo isso. A única coisa que conquistei foi respeito e consideração de inúmeros amigos(as). Obrigado a todos que me demonstraram apoio nesse momento muito difícil e peço perdão a aqueles estão sofrendo por minha causa.

André Pasqualini

Detalhe 1: Enquanto isso, em Portland, 1500 pessoas pedalaram nuas sem nenhum problema com a polícia.

Detalhe 2: Lá em Portland, ficar nu em público é tão crime quanto aqui.

Detalhe 3: Essa nem dá para comentar. Aliás eu deixei o seguinte comentário nesse post do Apocalipse Motorizado: "Inveja é uma bosta… Por isso que não saio do Brasil, se sair não volto nunca mais".

Detalhe 4: Fui enquadrado no Art. 233 do Código Penal (DECRETO-LEI N. 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940)

O artigo diz o seguinte:

Ato obceno
Art. 233. Praticar ato obceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, de um conto a três contos de réis.

Deixa ver se eu entendi, "penis" é obsceno, "vagina" não. É isso "Dotô"? Quem é quem determina o que é obsceno ou não? O Major? Segundo ele, nas entrevistas, tem que estar pintado. Quer dizer que se eu tivesse pintado eu poderia balança-lo? É isso "Dotô"?


Que vale a pena ler:

Clipping Geral publicado no Naked Wiki e a Carta dos Participantes

Dos Independentes

Ecologia Urbana
Outra Política
CMI 1
CMI 2
Onipresente ausente
Blog do Transporte Ativo
Meninamalouca
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Tessie: relato, video, fotos
Polly: fotos1, fotos2, relato
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Kampa


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Estadão
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