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Vem aí a Freeway do Serra
17/06/2009
Especial Freeway - Durante toda a fase de obras da Freeway da Marginal Tietê traremos informações mostrando todo lado negativo dessa obra.

Os verdes ao lado serão as "compensações ambientais"
Antes de começar o artigo, no dia 18 de junho, as 19h30, no clube Espéria, ocorrerá o seminário Repensar São Paulo que irá debater principalmente essa obra absurda, portanto fica aqui o convite.
Confesso que fiquei espantado com o anúncio dessa obra. Meses atrás fiquei sabendo por alto dessa possibilidade, mas achei que não passava de uma idéia estúpida como uma ponte que querem criar sobre o Rio Pinheiros só para atender aos anseios dos “pobres” moradores da região do Panambi.
Lembro da primeira vez que ouvi uma sandice como essa, era o Homem do Aero-Trem, um candidato que teve a excelente idéia de “asfaltar” o Rio Tietê para criar várias pistas para carro. Pegou tão mal quanto a idéia do Enéas de construir uma Bomba Atômica para competir com a Argentina. Esse candidato nunca mais tocou no assunto, tanto é que só vi o vídeo, com a animação, uma vez e nunca mais.

Aliás, só voltou a tocar no assunto quando o Maluf apareceu com a idéia da sua freeway. Mas de uma pessoa que promove uma carreata no Dia Sem Carro podemos esperar de tudo. Claro nem a população deu muita bola pra essa loucura, até que surge o anúncio da Freeway do Serra, que vai criar um total de 26 pistas nas marginais Tietê. Surgiu do nada, a divulgação diz que já esta licitado, pronto para começar, nem debate público ocorreu.
Até pouco tempo houve um bombardeio da Globo pela recuperação dos rios, mostrando como Seul havia destruído o seu minhocão para recuperar um rio outrora canalizado. Uma “novidade” que eu já havia tomado conhecimento a mais de 3 anos. Tolo, eu achei que isso faria nossos governantes tratarem nossos rios de maneira mais nobre e não como meros esgotos.
Em Seul, isso...

...virou, isso.

Mexer com os rios de São Paulo é algo complicado, com o Rio Tietê o paulistano nutre um sentimento de amargura e carinho. Tanto é que para pedir sua despoluição ele conseguiu reunir 1,2 milhões de assinaturas em um abaixo assinado, considerado um dos maiores do mundo com fins ambientais.

Rio Tietê em 1997, quando ainda tinha margens verdes

Rio Tietê em 2004, antes das obras de "canalização"
Eu mesmo já fiz duas viagens de Bicicleta por esse rio, uma em 1997 e outra em 2004. Vi o quanto ele pode ser agradável, caso fosse limpo e caso os Paulistanos tivessem acesso a ele. Já tive uma noção de como seria essa sensação quando pedalei pelas vias as margens do Rio Pinheiros em 2008 nas Operações Pomar.

Pedalando nas margens do Rio Pinheiros
Mas nosso governo, não contente com a atual barreira que existe entre o Rio e a sociedade (as pistas para carros), quer criar mais pistas naquele pequeno espaço onde deveria existir uma mata ciliar.
Mas isso parece não incomodar nossos governantes, pouco importa que se o Rio não tem margens verdes e sim de concretos como um canal de fluidez de esgoto. Pouco importa que nossas várzeas (não só dos rios Tiete e Pinheiros) estejam canalizadas ou pavimentadas, sem a mínima drenagem.

Ex-Rio e agora "Canal Tietê"
Tudo vale para dar mais espaços aos carros, portanto vamos impermeabilizar ainda mais nossa "ex-cidade da Garoa". Pelo menos quando não chover, ou até atingirmos o maravilhoso número de 7 milhões de carros, o trânsito ficará um pouco melhor.
Difícil explicar a essas pessoas ditas “desenvolvimentistas” que não há maneira de resolver o problema dos congestionamentos dando mais espaço para os carros. Mas vou tentar.
Senhor governador, a criação de novas faixas, pontes, viadutos não irá resolver o problema de trânsito na cidade, pelo contrário, irá apenas fomentar o aumento da frota e o uso desse veículo que tanto mal faz a nossa cidade.
A única solução que existe é o melhor uso do espaço urbano. Nesse feriado por exemplo, quase não tivemos trânsito e porque? Não é porque a cidade ficou vazia, mas porque tivemos menos carros nas ruas.
Portanto se investirmos em obras que tiram as pessoas dos carros e as distribuem de maneira eficiente e confortável no espaço público, poderemos resolver o problema do trânsito em São Paulo. Fica até repetitivo dizer que com esse dinheiro poderíamos construir mais de 50 km de corredores de ônibus, ou 5,2 mil kms de ciclovias.
Pode até ser que se somarmos todo o dinheiro programado para investimento em transporte público, seja maior do que essa obra em questão, mas se somarmos todo o dinheiro destinado para os carros no planejamento da cidade nos próximos 4 anos, chega a ser 4 vezes maior do que o destinado ao transporte público.
Sem falar que enquanto obras para o transporte público e ciclovias caminham a passos de tartaruga. Como a Ciclovia as margens do Pinheiros, que segundo a secretária de Energia, deveria ter começado no ano passado. Já as obras para os carros tem seus problemas burocráticos resolvidos com uma velocidade fantástica, incrível não é?
Mas falando em ciclovia, vale lembrar que a Freeway do Serra não está em conformidade com a Lei das Ciclovias, que manda toda nova obra ou reforma viária tenha ciclovia.
Para não falar que a gente só reclama e não aponta soluções, se transformassem as calçadas das marginais (Pinheiros e Tietê) em ciclovias compartilhadas com pedestres como a da Radial, resolveriam dois problemas (do pedestre e do ciclista) numa tacada só.

Calçada da Radial transformada em ciclovia compartilhada com pedestres.
Poderiam aproveitar essa obra e resolver também a questão da travessia dos pedestres e ciclistas sobre as pontes de São Paulo. Mas não, mais uma vez a bicicleta foi ignorada pelos nossos governantes.

Ponte João Dias na Zona Sul de São Paulo com "farta" área para pedestre
Ou seja, aqueles que acham que finalmente vamos ganhar uma ciclovia na marginal, podem tirar a bicicleta da chuva. Numa das regiões mais propícias para o uso da bicicleta em São Paulo, a região que abrange as marginais Tietê e Pinheiros, o ciclista vai ter que continuar se arriscando, pois para o estado nós somos invasores do espaço dos carros. Se um ciclista morre ali, segundo o Poder Público, a culpa é do ciclista, mesmo que a lei diga o contrário.
André Pasqualini
PS1: Em tempo, sou contra a obra, mesmo se mudarem o projeto e construírem a ciclovia. Se me derem duas opções, ou a obra com a ciclovia, ou uma obra de recuperação de até 100 metros das margens do Rio Tietê, sem ciclovia, prefiro a segunda.
PS2: Como “compensação ambiental” o governo se dispõe a plantar 4 vezes a quantidade de árvores derrubadas nas imediações das marginais do Tietê e a criação de um parque linear que vai, desde o
Parque Ecológico do Tietê até Salesópolis, onde nasce o rio. Se isso realmente ocorrer (tenho minhas dúvidas) será algo fantástico, portanto sugiro que cobremos o seguinte.
Que não apenas criem esse parque da nascente em Salesópolis, não apenas até o Parque Ecológico em Guarulhos, mas que esse parque vá além, até a cidade de Salto a 100 km da capital sentido interior, passando por dentro da nossa cidade. Já na região das marginais, que as margens do Rio Tietê sejam recuperadas, pelo menos uns 100 metros de cada margem, destruindo assim boa parte da pista expressa.
Quem é contra essa idéia? Se você é contra ou a favor, explique sua opinião nos comentários abaixo.
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