Especial Freeway - Durante toda a fase de obras da Freeway da Marginal Tietê traremos informações mostrando todo lado negativo dessa obra.
Se há algo que lamentarei pelo resto da minha vida foi que tive a chance de tentar salvar essa árvore e não agi. Sábado começo de noite, quando terminamos uma vistoria da marginal, pedalando desde a Ponte Atilio Fontana até a Ponte Cruzeiro do Sul. Ao encontrar as primeiras vítimas do massacre vi essas duas sobreviventes, pois suas 5 companheiras já haviam sido assassinadas.
Na mesma noite convidei uns amigos para, caso essa árvore sobrevivesse a madrugada de sábado para domingo, iríamos subir nessas árvores, fixando residência até que fossemos presos ou que a árvore fosse poupada.
Retornei lá no domingo de manhã e tive essa triste visão. Ela não existia mais.
É um massacre o que vem ocorrendo, não só as árvores, mas a nossa cidade como um todo. Hoje escrevo esse texto e corro para a Câmara dos Vereadores, para participar da apresentação das alterações do Plano Diretor Estratégico. Para quem não sabe, o PDE foi uma vitória da sociedade que conseguiu criar uma lei que protege a cidade da especulação imobiliária e automotiva. Mas estamos falando em BILHÕES e claro que haverá uma grande pressão para mudanças para beneficiar os setores “prejudicados”, mesmo se essas mudanças trouxerem prejuízos a todo resto da cidade.
Essa obra da Marginal Tietê é totalmente contra o plano diretor, ou seja, não esta prevista a obra, pelo contrário. Há no plano a construção de uma grande via na Zona Norte, ligando a Dutra com a Castelo, que reduziria o fluxo de veículos motorizados das marginais. Com essa obra seria possível retomar a recuperação das várzeas do Tietê, despavimentando a maioria de suas pistas, recuperando o Rio e suas marginais.
Uma das tentativas de barrar a Freeway na justiça será porque uma obra como essa, só poderia ser construída caso estivesse prevista no Plano Diretor. Já com as alterações, temos um sério risco de que o novo PDE beneficie essa atrocidade.
Nos próximos meses vou me concentrar para provar que essa obra estúpida, inicialmente avaliada em 800 milhões de reais, que já passou para 1,3 bilhões antes do início das obras. Com certeza seguirá a linha da sua obra prima também estúpida, a Ponte Estragada Estaiada, que a princípio era pra custar 85 milhões (link só para assinantes folha, mas pode ser conferido aqui também) e no final, acabou custando 260 milhões de reais (reparem também na mudança de opinião da Folha).
Vou provar que essa obra-prima da Estaiada é tão estúpida e que vai trazer mais prejuízos do que benefícios a cidade. Acompanhem, pois serão longos meses.
Sobre o que já vem ocorrendo são cenas tristes. Depois das obras de Canalização do Tietê (que alguns dão o nome de aprofundamento da calha), houve o plantio de milhares de árvores, coisa de dois anos atrás, justamente nesses 19 hectares de terra que serão impermeabilizados. Árvores que amenizavam um pouco os efeitos nocivos que os carros levam para aquela região.
Lar de inúmeras aves, que mesmo com o barulho ensurdecedor dos carros, conseguem mostrar sua força para aqueles que conseguem caminhar por aquele oasis. Aves essas que não terão onde viver e que estão condenadas como a maioria das mais de mil árvores afetadas com a obra.
Sim, todas as árvores estão condenadas, as seculares serão vítimas das motoserras, já as menores, plantadas na compensação ambiental citada acima, serão “transplantadas” para o Parque Ecológico do Rio Tietê. Falando sobre esses dois absurdos.
Primeiro elas serão replantadas numa área onde não são necessárias. Elas são úteis nas marginais e não lá no parque. Em segundo lugar, um replantio para ser bem sucedido, tem todo um processo de preparação que dura dois meses no mínimo. Da maneira que as coisas estão sendo realizadas a toque de caixa, duvido que metade sobreviva, algo que farei questão de monitorar e cobrar futuramente.
Ainda tem outro detalhe, elas serão transplantadas para uma região onde pode acabar interferindo nos ventos que arejam nossa cidade. Ou seja, além de diminuir os estragos provocados pelos carros na região das marginais, elas vão prejudicar ainda mais nosso clima. Pelo menos as que sobreviverem.
As imagens dos troncos cortados são desoladoras, por isso que elas foram cobertas por sacos pretos, para chocar o menos possível quem passa. São tratadas como cadáveres que envergonham nossa cidade. Mas governador, se tem vergonha de mostrar o crime que estão cometendo, que parem a atrocidade e não empurrem para baixo do carpete sua sujeira.
Infelizmente são poucas as matérias na “grande mídia” que mostram outro lado desse massacre, ou que questionam a obra. Por isso que vou me dedicar nesses meses de mostrar esse outro lado e quem sabe, alterar esse processo de morte da nossa cidade.