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Projeto 1000 pelo Tietê - Janeiro de 1997

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O Projeto 1000 pelo Tietê é o nome dado por mim (André Pasqualini) e pelo Claudio Nadaleto, à viagem de bicicleta que fizemos em Janeiro de 1997, quando atravessamos o Estado de São Paulo, beirando o Rio Tietê, desde a sua nascente em Salesópolis, até sua foz, no Rio Paraná, divisa com Mato Grosso do Sul.

As intenções com essa viagem foram várias. Primeiro fomos movidos pela paixão pela bicicleta. Este seria o maior dos nossos desafios, e concluir a viagem, seria um feito para se orgulhar pelo resto da vida.

Em segundo lugar, o ato de conscientização ecológica. Todo ciclista é um ecologista por natureza, portanto queríamos associar o nosso passeio ao maior símbolo de degradação dos paulistas: o Rio Tietê. Na verdade, a idéia de se fazer a viagem surgiu anos antes e foi amadurecendo com o tempo. Maiores detalhes você encontrará no meu livro, “O primeiro passo para uma grande conquista... Sonhar”.

Aproveitando o gancho do Rio Tietê, e também aproveitando o interesse que geralmente despertamos nas pessoas que nos encontram no meio das nossas viagens, levamos às pessoas um pouco de conscientização ecológica e também difundimos o cicloturismo como esporte.

Dia 09 de janeiro de 1997, depois de meses de preparação e treinamento, estávamos prontos para dar início a grande viagem. Dias antes o Claudio ganhou do seu padrasto uma filmadora. Nem tínhamos em mente filmar a viagem, mas graças ao presente, compramos um tripé, baterias e várias fitas. Além da possibilidade de registrar as imagens através de fotos, um novo mundo se abriu com a possibilidade de filmar.

Para essa viagem, contamos com o Patrocínio da Adc Comgás, o grêmio da empresa que nós trabalhávamos que organizou um bingo com a renda revertida para o Projeto. Foi uma ajuda substancial. Arrecadamos aproximadamente R$3.000,00 com o bingo, embora gastemos com a viagem algo em torno de R$8.000,00. Mesmo assim esse dinheiro foi muito bem vindo.

Também tivemos o apoio da Academia Activa, que nos deu o treinamento para a viagem e também da Loja Mbike que nos fornecia manutenção nas bikes e peças a preço de custo. Além desses patrocínio e apoios, tínhamos a parceria com o SOS Mata Atlântica. O SOS nos forneceu diversos contatos durante todo o trajeto, uma ajuda mais que fundamental.


1º Etapa do Projeto 1000 pelo Tietê: São Paulo – Salesópolis

Nossa largada foi no pátio da Comgás, prédio da Figueira, no Parque Dom Pedro. Foi uma maneira carinhosa que encontramos para agradecer todo o apoio que eles nos deram. Desde a participação maciça no Bingo, como também as demonstrações de incentivo de todos os funcionários. Mais de 50 pessoas apareceram lá só para se despedir. Entre eles o Isaac, Bandejão, Selene, o Maurício da Mbike, o Claudio da SOS, entre muitos outros.

Antes de sair demos uma entrevista para o Jornal Gazeta Paulista. Saímos e seguimos pela marginal Tietê e depois caímos para a Radial Leste, passando por Ferraz, Poá, Suzano, chegando em Mogi das Cruzes.

Em Mogi almoçamos, faltavam uns 40 quilômetros para chegar em Salesópolis. Pedalamos até uma banca de frutas que tem chegando em Biritiba-Mirim. Como sempre, paramos para tomar uma água de coco básica. Lá começamos a recordar aquela viagem de meses atrás, a primeira etapa da preparação para esta viagem, quando fomos com o Adelmo para Salesópolis. Comentamos o quanto ele nos influenciou para praticarmos o cicloturismo.

Na outra viagem, quando chegamos nessa banca eram quase seis horas da tarde. Dessa vez não eram nem duas horas. Nosso preparo havia melhorado muito, fruto da preparação. Colocamos a filmadora na bicicleta e caímos na estrada. Assim podemos passar para o pessoal as finas que levamos das carretas nas estradas.

Mais um pouco de subidas e descidas chegamos ao nosso primeiro encontro com o Rio Tietê, limpo. Havia gente pescando e muitas aves. Realmente, nem dá para acreditar que ele fica naquele estado que encontramos em São Paulo. Tiramos diversas fotos e continuamos a viagem.

Naquela época o celular era algo praticamente inviável, não era todo mundo que tinha condições de ter um. Então eu resolvi gastar trezentos reais em um pager. E não é que no meio da estrada ele tocou? Também foi praticamente a única vez, pois foi só sair da grande São Paulo para eu guardar na mala e esquecer que tinha um bip.

Quase chegando em Salesópolis, tem uma senhora ladeira que conseguimos registrar. Quebramos o recorde do dia alcançando 70km/h. Depois da descida o Claudio quis dar uma pausa para beber uma água. Ficamos uns 20 minutos em um ponto de ônibus, aproveitei e fui pegar uma água em uma casa perto do ponto.

Faltando poucos quilômetros para terminar o dia, o cansaço começou a bater forte. O Claudio deu uma disparada e chegou bem antes de mim no portal da cidade de Salesópolis. Alguns minutos depois, apareci no zoom da filmadora. Chegamos bem acabados e fomos até uma pensão que tínhamos ficado na última viagem.

A diária era seis reais por pessoa, em compensação havia uns 6 beliches no quarto. Quando fomos dormir não havia ninguém no quarto, mas acordei de madrugada com o ronco de um hóspede que havia chegado no meio da noite. Também, por seis reais, o que a gente queria? Mesmo assim conseguimos descansar para no dia seguinte registrar a nascente do Rio Tietê.

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