Carta enviada no dia 23/04 as 03h52

Prezados senhores Alexandre de Moraes e Eduardo Jorge.

Quem me conhece sabe que a anos eu luto, não apenas pela segurança dos ciclistas, mas por uma mudança na política de mobilidade urbana que privilegia a mobilidade dos automóveis em detrimento a todos os demais modais. São inúmeros os exemplos desses privilégios, mas faço questão de listar alguns:

 

Poderia fazer uma extensa lista, mas prefiro focar na última atitude da CET, que apenas serve para reforçar a minha teoria de que a cidade não apenas vem sendo planejada a décadas pensando apenas no deslocamento dos automóveis, como ainda segue essa linha.

Os senhores devem ter ouvido falar de uma manifestação de ciclistas que repintaram o acostamento da Marginal Pinheiros. Fato ocorreu num trecho de 2 km, entre as pontes do Morumbi e João Dias, em protesto ante a atitude da CET que pretendia acabar com o acostamento e criar uma nova pista para os carros.

Quando notei que estavam apagando a sinalização do acostamento, de  imediato entrei em contato com a CET, primeiro pelo 1188, onde sequer consegui ser informado o motivo pelo qual o acostamento estava sendo apagado. Depois descobri, via um agente de rua, que essa obra estava sendo realizada pelo GET 6, que cuida das Marginais. Liguei e conversei com o arquiteto Agnaldo. Ele confirmou minhas suspeitas, dizendo que o acostamento iria virar uma pista, com a capacidade de 1000 carros por hora.

Questionei, “E os ciclistas e pedestres que lá circulam?”, como resposta ouvi que eu teria que me virar e achar outra forma de se deslocar, pois a partir de agora seria proibido o tráfego de ciclistas naquele ponto, devido a ausência de acostamento.

Fiz então uma matéria em meu site (http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias71.asp) para repercutir entre os ciclistas de São Paulo e obviamente causou uma imensa revolta. Como a CET não tem dados de quantas bicicletas passam por lá (só tem informações sobre carros) fiz uma pesquisa informal, fui até aquele ponto da marginal no dia 13 de abril, as 17h30.Em pouco mais de uma hora, mesmo com chuva, fotografei mais de 80 ciclistas.

Motivados pela repercussão que o tema causou entre os ciclistas e cicloativistas, alguns se organizaram para pintar novamente o acostamento, não apenas como forma de protesto, mas também  porque da maneira que estava, o riscos de acidentes envolvendo ciclistas e pedestres eram enormes. No dia seguinte a ação fui ver como estava a situação dos ciclistas e pude perceber o quão havia melhorado. Fiz um vídeo mostrando o resultado.

entrada_ciclovia.jpg

http://www.youtube.com/watch?v=yftCkYlSjnY

Pena que a segurança dos ciclistas durou um dia apenas. Ao invés da ação chamar a atenção da CET para que eles revissem essa atitude, parece que surtiu efeito contrário. Na noite seguinte, uma equipe da CET foi até o local, apagou toda a sinalização e retomou seus planos de criar uma nova pista para os carros. Ainda como represália, ameaça multar os ciclistas que participaram da ação, da mesma maneira que fizeram comigo no mês passado, em referência ao Pedalada Pelada de São Paulo que ocorreu em 2008.

Mas e agora? Qual a alternativa para os ciclistas e pedestres?

Aos pedestres restam se equilibrarem em uma guia de 15 cm, ou munidos com um facão e galochas, abrir uma trilha no matagal que tem ao lado da pista. Alias, matagal esse que segundo apurei pertence a prefeitura, e poderia facilmente comportar uma calçada digna para os pedestres e uma ciclovia.

Já os ciclistas, como alternativa, segundo o arquiteto do CET, eles serão obrigados a aumentar o trajeto em 2 km e encarar as pirambeiras do Morumbi a se “arriscar” na marginal. Como sei que nenhum ciclista vai seguir esse conselho estúpido, fica o meu conselho. Guardem suas energias para naquele trecho de 2 km, andarem a uma velocidade de pelo menos 50 km/h, diminuindo assim os riscos de atropelamento. Mas quero ver como o senhor com essa bicicleta vai conseguir desenvolver essa velocidade.

cargueira.jpg

Qual o objetivo dessa mensagem? Fazer um apelo, tanto ao senhor Alexandre de Moraes, como ao Senhor Eduardo Jorge, bem como a todas as demais pessoas copiadas nesse email ou que tiverem acesso a esta mensagem.

Vamos mudar definitivamente as nossas políticas de mobilidade urbana, vamos de uma vez por todos, orientar a CET para a partir de hoje, jamais considerar a fluidez motorizada mais importante que a segurança das pessoas. Se a CET esta incomodada com as manifestações dos ciclistas, ao invés de ameaçar mandando multas ou criando mais situações de riscos aos ciclistas, que eles passem a fazer como manda a lei em seu artigo 24 do CTB.

Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

        II - planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

Vamos fazer um pacto, unindo poder público, imprensa e sociedade para mudarmos a maneira de pensar em mobilidade na cidade. E como primeiro ato, devolva aos cidadãos o acostamento que lhes foi tirado, antes que uma tragédia ocorra naquele local.

Senhor Alexandre, numa conversa que tive com o senhor naquele evento em março, na Associação Paulista do Ministério Público, perguntei se há políticas para reduzir o número de carros das ruas. Além do senhor dizer que não há políticas (o que me deixou muito desesperançoso), disse que não podia tirar o direito das pessoas de andarem de carro.

Quer dizer que tirar o direito das pessoas andarem a pé ou de bicicleta vocês podem?

Quero que os senhores, usem seus poderes de secretários para influenciar essa empresa (CET) para exigir uma mudança radical de comportamento. Que eles busquem atingir o mesmo nível de excelência que possuem para gerir o deslocamento dos veículos motorizados, no gerenciamento do deslocamento dos não motorizados, ou seja, pedestres e ciclistas. Que eles usem toda sua excelência para fazer valer a lei, que no meu modo de pensar, é a principal vitória conquistada na criação do CTB, em seu artigo 29, parágrafo 2

§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

Vou passar uma informação ao senhor Alexandre que é de conhecimento do Dr. Eduardo Jorge. O senhor sabia que o Ibope, em parceria com o movimento Nossa São Paulo, realizou uma pesquisa onde apurou que há 1,7 milhões de pessoas que usam o carro diariamente ou quase todos os dias. Dessas, 1 milhão de pessoas disse que trocaria o seu carro para usar a bicicleta como meio de transporte.

Fica aqui a dica, caso alguém lhe repita minha pergunta, sobre o que a prefeitura esta fazendo para tirar os carros das ruas, diga que vocês tem um projeto para tirar 1 MILHÃO de carros das ruas. Que vocês vão aumentar o número de técnicos especialistas em bicicleta na CET (atualmente são apenas 3) e que vão trabalhar arduamente para o fomento do uso da bicicleta como meio de transporte.

É isso, nesse link (http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias72.asp) tem a matéria mais recente sobre o tema onde há um vídeo mostrando como é atualmente a situação do ciclista que irá se arriscar por ali.

Fico no aguardo de uma resposta, volto a dizer, a situação do ciclista naquele ponto é extremamente crítica, a maioria não tem outra opção de deslocamento, vão continuar se arriscando naquela via e se nada for feito, em breve, teremos uma tragédia ali. A poucas horas, voltando para casa, passei por lá e levei uma fina de um ônibus que tentava ultrapassar pela direita, um caminhão que se encontrava na segunda faixa. Por muito pouco não consigo chegar em casa para escrever esse email. Convido os senhores a visitarem o local, de preferência entre as 17h00 e 18h00 para ver pessoalmente a situação dos ciclistas. Se estiverem de bicicleta, melhor ainda.

Apesar de criticar e se posicionar contra a política de mobilidade urbana adotada pelos dirigentes dessa cidade, sempre me coloquei a disposição para cooperar com a prefeitura e é o que continuarei fazendo.

André Pasqualini

clipping de notícias, fotos e vídeos da ação

Resposta do Secretário Alexandre de Moraes no dia 23/04 as 20h54

Prezado Sr. Andre Pasqualini,

A Prefeitura de São Paulo, por seus órgãos responsáveis, entre eles a SMT e a CET, compartilha suas preocupações quanto a necessidade de implantação de ciclovias que possibilitem o tráfego seguro dos ciclistas.

Para tanto, determinei à Diretoria de Planejamento da CET a formatação de uma política de ciclovias, que permita a locomoção segura de todos os munícipes que pretendam utilizar bicicletas na Cidade de São Paulo.

Em estudo profundo e detalhado da última pesquisa OD (origem e destino), a CET já identificou os principais pontos de utilização de bicicletas em São Paulo, bem como o número de usuários e os trajetos mais adequados.

Em diversas reuniões, nesse último quadrimestre do ano, a CET apresentou-me várias rotas possíveis e as condições necessárias a serem implantadas.

Estamos em fase final de finalização do projeto, para que possamos apresentá-lo, discutí-lo e implantá-lo.

Tenha absoluta certeza de que a construção de ciclovias seguras é prioridade do Prefeito Municipal.

Alexandre de Moraes

Secretario Municipal de Transportes e Presidente da CET

Réplica no dia 24/04 as 00h01

Senhor Alexandre de Moraes, muito obrigado pela resposta. Apesar de não ser de conhecimento de muitos aqui, já sei dos planos da CET sobre a formatação de uma política de ciclovias. Algo que considero louvável visto o histórico recente dessas décadas de políticas de mobilidade urbana em nossa cidade. Mas gostaria de atentar a três pontos.

1º) Mais importante do que ciclovias é usar a máquina pública para pensar e planejar a mobilidade não motorizada, estabelecendo políticas para a criação de melhoramentos cicloviários, algo muito mais amplo do que ciclovias. Portanto seria importante somar e valorizar o grupo Pró Ciclista, para que tenhamos Plano Cicloviário que abranja toda a cidade, que contemple não só estudos para a criação de ciclovias, mas também ciclofaixas, tráfego compartilhado com sinalização de rotas seguras, bicicletários, acessos ao sistema de transporte público, etc. Todas as cidades consideradas “amigas dos ciclistas”, como primeiro passo criaram um amplo plano cicloviário.

Importante também mudar um pouco essa cultura de que a ciclovia é a solução dos nossos problemas. Paris por exemplo, tem um plano cicloviário de quase 600 km, com pouquíssimas ciclovias. Como é uma cidade praticamente toda tombada, a maioria das intervenções são com ciclofaixas e tráfego compartilhado, até em pistas exclusivas de ônibus. Lá foi feito um forte investimento em educação e fiscalização, fazendo com que os motoristas tenham ciência que é dever deles zelar pela segurança de pedestres e ciclistas. Só a título de comparação, no ano de 2008, a CET aplicou apenas uma única multa de desrespeito ao art. 201 do CTB, aquele que diz que o motorista deve guardar distância de 1,5m do ciclista. Portanto achar que ciclovias é a solução para a segurança dos ciclistas é um enorme erro e graças a essa cultura que temos esses pífios números de ciclovias na cidade.

2º) Esse estudo detalhado que fizeram na OD, já havia sido realizado pelo Pró-Ciclista e com certeza ele deve apontar os locais onde seria necessário uma intervenção imediata. O que me surpreende é que esse estudo deve ter apontado um grande fluxo de ciclistas naquele trecho em questão, na Marginal Pinheiros entre as pontes Morumbi e João Dias. Se há um apontamento de que há fluxo de ciclistas ali, porque retiraram o acostamento? Porque tornaram a vida dos ciclistas que passam ali mais perigosa? Porque não tomar alguma atitude imediata para que os ciclistas voltem a ter segurança naquele ponto?

3º) Desculpe se meu texto foi muito amplo, mas detalhei tanto que acabei esquecendo de focar a minha real mensagem. Não escrevi aquilo tudo porque estou pedindo ciclovias. Isso porque eu sei que é impraticável termos ciclovias em todos os 17 mil quilômetros de vias da cidade e também porque, como citei acima, mais importante que ciclovias é termos um planejamento do deslocamento não motorizado. O que eu pedi foi uma mudança de política que priorize a fluidez motorizada em detrimento da segurança das pessoas que não andam de carro. A transformação do acostamento da marginal em pista para carros é um claro sintoma dessa política. Para criar uma maior vazão para os carros, coloca-se em risco ciclistas e pedestres. É isso que devemos mudar, não apenas naquele trecho em questão, mas em toda a cidade. A PREFERÊNCIA TEM QUE SER DAS PESSOAS E NÃO DOS CARROS.

Por isso quero reforçar, devolva o acostamento a pista, mande seus técnicos, assessores ou mesmo o senhor, vá até o local e veja o quão a situação esta perigosa. Depois disso sinalize que há uma tendência de mudança de paradigmas. Eu como ciclista não quero apenas ciclovias seguras. Quero uma cidade segura, quero pontes seguras, quando estiver a pé quero que os carros dêem preferência a mim quando tentar atravessar uma faixa de pedestre.

Vamos fazer o seguinte. Vá comigo até a Marginal Pinheiros ali na Ponte do Morumbi. Percorra comigo de bicicleta (ou a pé) o trajeto da ponte do Morumbi até a Ponte João Dias. Não requer preparo físico, o trecho é curto e plano. Chegando na ponte, a gente deixa a bicicleta e a atravessa a pé para o outro lado da marginal. Só assim o senhor vai conseguir compreender o problema e entender a minha preocupação. Não estaria gastando tanta energia se a situação não fosse realmente crítica.

Dr. Eduardo Jorge, faça-nos companhia, apesar do senhor conhecer muito bem essa situação que eu descrevo, será de grande importância a presença do senhor num ato como esse. Além do fato de ser responsabilidade da SVMA a coordenação do Pró-Ciclista e a condução das políticas pró bicicletas na cidade, sua experiência como ciclista será de grande valia para tentar reverter essa situação.

Enfim, desculpe pela réplica, mas ela foi necessária para tentar esclarecer as dúvidas que não foram respondidas. Seguem novamente abaixo em resumo:

1º) Teremos a criação de um amplo plano cicloviário para a cidade, de preferência com a participação de ciclistas?

2º) O acostamento da marginal será refeito? Ou a prefeitura irá fazer algo para a travessia segura, tanto do ciclista quanto do pedestre naquele trecho de imediato, já que o fluxo de ciclistas ali é mais que considerável?

3º) Teremos uma mudança de política de mobilidade que garanta que a segurança das pessoas será considerada mais importante que a fluidez motorizada?

4º) Podemos marcar uma visita com os senhores ou com representantes das duas secretarias ao local para verificarem o quanto a situação esta perigosa?

Abraços a todos

André Pasqualini

Resposta do Secretário Eduardo Jorge no dia 24/04 as 11h32

André Goldman,
Vamos comigo até o local.
Marque com Dorinha.
Eduardo Jorge

Resposta da Jornalista Renata Falzoni da ESPN Brasil no dia 24/04 as 12h43

Caros Eduardo Jorge e Alexandre de Moraes:

Muito importante essa  inspecção  in loco de autoridades da Prefeitura de São Paulo, diretamente relacionadas a  mobilidade urbana de São Paulo, em nossas ruas, avenidas, pontes e viadutos.

Pretendo dar ampla cobertura a esse fato inédito.

É importante mostrar a real do que é atravessar qualquer ponte em São Paulo, onde inexistem faixas de pedestres, ou mesmo viadutos, onde pedestres e ciclistas estão condenados a atirarem-se em meio a carros,  que não dão preferência aos cidadãoes a pé, até mesmo porque  nem mesmo uma faixa de pedestres insinuando a preferência destes por lá  existe.

Aquele trecho da marginal é imperativo  para o acesso de pedestres e ciclistas aos bairros mais ao sul da cidade e a retirada sumária deste espaço urbano,  do uso por  não motorizados pela CET ,demonstra claramente o que André Pasqualini tão bem explica:

A preferência da SMT e da CET é  pela fluidez de automóveis em detrimento da segurança de pedestres e ciclistas.

Se caminhar por esse trecho é perigoso, pois os carros invadem ilegalmente até o acostamento,  o que deve ser feito é garantir a segurança dos cidadãos que por lá circulam e nunca proibí-los de por lá circular pura e simplesmente.

Ciclovias são apenas parte de uma solução. O que é URGENTE  é uma ESTRUTURA CICLOVIARIA que engloba ciclovias, ciclofaixas, integração com outros modais, bicicletários, SINALIZAÇÃO, obediência a preferência de pedestres e ciclistas.

As rotas de bicicletas pela cidade podem e devem usar faixas onde carros hoje estacionados nada contribuem com a fluidez do trânsitotanto de carros quanto  de cidadãos não motorizados.

O trânsito partilhado está previsto em lei (art 58) e deve ser acolhido e protegido pelas autoridades de trânsito (art 21 e 24) e isso URGE sair do papel.

Qualquer atitude tanto por parte da SMT, quanto da CET só acontecerá quando esses órgãos DE FATO ASSUMIREM A BICICLETA COMO MEIO DE TRANSPORTE.

Aguardo a data e horário da visita de autoridades ao trecho da marginal entre as pontes Morumbi e João Dias.

Atenciosamente

Renata Falzoni

espn.com.br/renatafalzoni

Resposta do Secretário Eduardo Jorge no dia 27/04 as 15:51

Alexandre,
Estive hoje no local com André Goldman e andamos todo o percurso citado nas cartas dos ciclistas.
Realmente é um problema muito complexo, pois o local tem trânsito pesado e perigoso e ao mesmo tempo é local de passagem de muitos pedestres e ciclistas que trabalham em empresas da região.
É preciso um estudo nosso como resolver este conflito com segurança. Do jeito que estava era perigoso. Do jeito que está também é perigoso.
Eduardo Jorge

Resposta do Secretário Eduardo Jorge no dia 28/04 as 00:26

Alexandre,
Resposta enviada aos repórteres dos jornais Destak e o Estado de São Paulo:
“O local realmente não é adequado para circulação de pedestres ou ciclistas.
Deve ser estudada outra solução.
A meu ver a opção mais segura é a ciclovia ao longo do Rio Pinheiros que estamos planejando em conjunto com o governo estadual.”
Eduardo Jorge

Réplica no dia 28/04 as 01h01

Secretário e todos.

O local não é adequado para a circulação de ciclistas e pedestres realmente, mas falar que a solução é a ciclovia das margens do Rio Pinheiros também não é o mais sensato e vou explicar o porque.

Primeiro porque ela não vai ficar pronta amanhã, nem licitada foi e não dá para a gente ficar torcendo para um ciclista não morrer até ela ficar pronta.

Segundo porque, até onde eu sei, a solução aos acessos seria uma ponte junto as estações de trem da CPTM, para que elas captassem passageiros do outro lado do Rio. Isso seria fantástico, mas por exemplo, a estação da Granja Julieta fica bem no meio do trecho que você andou, entre a ponte do Morumbi e o supermercado Extra.

Portanto como é que vocês fariam o acesso de ciclistas e pedestres a essa ponte? Tem que haver um acesso e ele tem que ser via ciclovia ou calçada, pois os ciclistas e pedestres que iriam pegar essa ponte viriam da ponte João Dias e da ponte do Morumbi por essa ciclovia.

A solução mais sensata para esse conflito é a seguinte.

Não só repintar o acostamento da marginal, mas segregar com tartarugas para que os carros não invadam o acostamento, ou o usem apenas para emergência.

Isso dá pra fazer de imediato, pois a criação dessa nova pista não trouxe nenhum benefício ao trânsito da região, basta ver essa foto que eu tirei na sexta passada, uma semana após a criação da nova faixa.
transito_marginal.jpg

O motivo é obvio, pois a causa desse transito é o gargalo gerado com a construção da Ponte Estaiada. Antes eram 6 faixas (quatro na expressa e duas na local) da marginal que afunilavam para entrar nessas 4 faixas que havia antes. Já as duas faixas da Ponte Estaiada aumentou consideravelmente o fluxo de veículos em alta velocidade e obviamente gerou um gargalo. A lentidão era apenas até a ponte do Morumbi, porque depois que acessavam as 4 faixas o trânsito fluía normalmente. Hoje continua a mesma coisa, o trânsito antes da ponte continua travado e só flui depois que passa da ponte. Se fizermos um levantamento vamos perceber que os índices de lentidão na Marginal Pinheiros, sentido Interlagos não reduziram. Se isso ocorreu foi uma redução insignificante e é algo que vou provar.

Portanto, como a criação da pista adicional não trouxe nenhum benefício ao trânsito, não há motivos para mantê-la. Na verdade, se haveria uma solução, seria a de acrescentar mais duas pista a esquerda, tomando uma área maior do Pomar, mas creio que isso é algo que nenhum de nós queremos, pois além de ser uma solução temporária e paliativa, não queremos acabar ainda mais com o Rio Pinheiros, da mesma maneira que foi feito com o Rio Tietê. Vamos deixar as capivaras apenas com o esgoto e não acabar com a casa delas.

capivaras.jpg 

Depois de refeito o acostamento e segregado de maneira com que os carros usem apenas como pista de emergência, seria necessário fazer uma ciclovia, ou uma calçada compartilhada depois do guard-rail. Não sei se o senhor reparou, mas há um espaço da pista, até uma cerca, com aproximadamente 20 metros no mínimo. Até onde apurei, ali é uma área da prefeitura onde havia a intenção de criar uma pista local para aquele trecho da marginal pinheiros. As áreas particulares começam apenas depois da cerca.

Até onde apurei também, parece que para liberar a construção de um condomínio de alto padrão naquele terreno e um campo de golf, a Sub do Campo Limpo (responsável pela região) exigiu que a construtora fizesse a pista local. Isso me foi dito quando eu apresentei um projeto de uma Ciclovia ligando o Capão Redondo a ponte do Morumbi, como minha proposta a ciclovia passaria bem naquele trecho, acharam melhor tentar essa alternativa para a construção da ciclovia naquele ponto. Detalhes desse projeto de Ciclovia no link abaixo.

http://www.ciclobr.com.br/temp/mapa.pdf

Mesmo se ali for terreno particular, é obrigação do dono do terreno construir a calçada, que poderia ser muito bem compartilhada entre os ciclistas e pedestres. Aliás fica aqui a sugestão. Todas as calçadas das marginais poderiam ser adaptadas e compartilhadas entre pedestres e ciclistas. Isto porque há sim um fluxo de pedestres, mas não em número expressivo, já que é totalmente desagradável andar numa avenida com tanto barulho de carros, e tanta poluição emitida por eles.

Já para o ciclista isso não é tão ruim, pois como ele vai rápido, ficará menos tempo exposto a poluição (muito menos que os motoristas). E mesmo assim, se essa ciclovia da marginal realmente sair do papel, haverá um considerável aumento do número de ciclistas na marginal, pois eles serão obrigados a pedalar por ela, já que os acessos não serão junto as pontes e sim junto as estações da CPTM.

Fica aqui a sugestão, mesmo com a criação dessa ciclovia da marginal, tem que haver uma maneira segura do ciclista acessá-la. A CET também deveria fazer uma pesquisa para verificar, não só quantos carros passam na marginal, mas também o número de ciclistas e pedestres, já que é obrigação deles gerenciar o tráfego de todo mundo.

Me coloco a disposição de colaborar de todas as maneiras possíveis e precisamos de uma resolução para esse problema o mais rápido possível, pois esta extremamente perigoso pedalar ali, já que não há outra alternativa aos moradores daquela região da Zona Sul e eles continuarão usando a pista.

Abraços

André Pasqualini

Resposta do Secretário Eduardo Jorge no dia 28/04 as 11:50

André,
Andei todo o percurso. Fui e voltei.
Com acostamento pintado ou sem acostamento pintado é uma imprudência que ciclistas e pedestres circulem naquelas condições.
Como eu falei é um caso muito complexo de resolver.
Não é fácil. De qualquer forma temos a obrigação de dizer que não é recomendável que pedestres e ciclistas passem por ali, neste momento.

Eduardo Jorge

Outra réplica de André Pasqualini no dia 28/04 as 12:16

Andar e pedalar em São Paulo não é seguro Dr. Eduardo. Seguro só andar de carro (os números apontam para isso) e é justamente aí que deveria começar a discussão, esse é o real motivo dessa carta aberta, para que todos aqui ajudem a mudar o conceito de mobilidade em São Paulo, onde só vemos preocupação em garantir a segurança e fluidez de quem esta já protegido por uma carcaça de metal.

No caso específico daquele trecho da Marginal, a melhor situação é como estava antes, com o acostamento. Simples, veja quantos acidentes ocorreram envolvendo ciclistas e pedestres naquele ponto, consulte a CET e verá que o número é zero.

Vejam esse vídeo feito no dia seguinte a repintura do acostamento, veja como a maioria dos motoristas respeita o acostamento e mesmo aqueles que não respeitam, ainda assim fazem com cuidado pois sabem que há riscos de encontrar um ciclista e mesmo se esse esta na contramão, obriga esse motorista a voltar para a pista. Veja também os depoimentos dos ciclistas e pedestres que abordei ali na pista.

http://www.youtube.com/watch?v=yftCkYlSjnY

O que não posso concordar é que a prefeitura se limite a dizer que não é seguro e não fazer absolutamente nada para criar essa segurança, ainda mais sabendo que ela possue poderes e qualificação para isso. Qual o custo para pintar o acostamento e colocar tachões que inibiriam a invasão dos carros ao acostamento? É irrisório e isso seria melhor medida imediata, embora paliativa, enquanto a prefeitura estuda a melhor solução para o caso.

Já fico contente em ver a Prefeitura interessada em fazer algo para resolver o problema dos ciclistas onde já há demanda, considero um primeiro passo para num futuro, a prefeitura perceber que não devemos apenas dar segurança aos ciclistas já existentes, como criar as condições para que qualquer pessoa possa pegar sua bicicleta e se deslocar com segurança pela cidade.

Voltando a Marginal, o senhor foi lá e constatou que a situação é realmente critica e que a Prefeitura tem que fazer algo. Acho que o próximo passo seria que os técnicos da Secretaria de Transportes fossem até o local e apresentassem uma proposta para uma solução imediata. Nem falamos de cobrança, mas os profissionais que possuem a competência para resolver imediatamente a questão estão na Secretaria de Transportes, já o senhor pode auxiliar para que ocorra uma solução definitiva.

Mais uma vez eu, bem como vários ciclistas nos colocamos a disposição para uma resolução desse caso, além de ajuda para que ocorra uma mudança real na política de mobilidade urbana que realmente seja mais justa e segura.

Abraços

André Pasqualini