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» Dia 20 de setembro, o primeiro desafio Intermodal da cidade de São Paulo.

Bike Lá Fora:

» Japão, educação, consciência e muito bom senso sobre duas rodas.

» China, um caos com uma boa dose de organização.

» Amsterdã, uma cidade que se move sobre duas rodas.

» Londres, pedalando entre a névoa da cidade.

Antiguinhas:

» O Meu dia sem Carro 2005 – Ciclistas invadem a Câmara de vereadores de São Paulo.

» Caso USP – Um exemplo que não podemos seguir.

China, um caos com uma boa dose de organização

Texto e fotos por Tales Augusto Cabral . Tales tem 29 anos, é paulistano, engenheiro, e queria ter mais tempo livre para pedalar em São Paulo. (www.stoneagescanners.com/terramex)

A bicicleta é o meio mais comum de transporte na China, principalmente no leste, onde só há planícies. As cidades são realmente planas, por isto é muito bom andar de bicicleta por lá. Nas cidades onde há metrô, o número de ciclistas é bem menor. Morei em Tianjin, a terceira maior cidade da China, onde não há metrô ainda (está em fase de construção). E é de lá que fornecerei minhas impressões.

Tianjin possui 10 milhões de pessoas e um mar de bicicletas. Nas maiores avenidas, existe uma ou duas faixas exclusivas para bicicletas em cada mão, separadas da via principal de carros por uma típica cerca de ferro, bem baixinha. As bicicletas sempre andam no mesmo sentido que os carros. Nas vias menores, não existe uma faixa exclusiva para as bikes, porém a regra é a mesma, elas ficam à direita dos carros. Nos casos onde é permitido o estacionamento dos carros nas guias, as bicicletas são obrigadas a fazer aquele "slalom", muitas vezes se jogando na frente dos carros que estão trafegando normalmente.

O impressionante é que ninguém se machuca feio. Totózinhos entre carros e bicicletas são comuns, e mesmo sem gravidade, é um Deus nos acuda. Ambos são obrigados a pararem exatamente na posição em que bateram, até a polícia chegar e registrar a ocorrência. Quando se trata de um estrangeiro que está no carro, a coisa piora um pouco. Ávidos por dinheiro, os sino-mercenários tentam extorquir dinheiro para não chamar a polícia.

É impossível falar das bicicletas sem citar o trânsito caótico de Tianjin. Ninguém respeita ninguém, e ao contrário do que se pratica na maioria dos lugares, a preferência nunca é do mais fraco. Ou seja, numa situação de "confronto" em mesmo número, um ônibus não pára para um carro passar, da mesma forma um carro para uma bike, e assim também uma bike para um pedestre. O que faz diferença é o volume: 10 bicicletas juntas conseguem parar um carro, ou pelo menos ir avançando de pouquinho em pouquinho até que os carros comecem a trafegar por trás deles, ao invés de pela frente. É um barato. Esta é a única maneira de pedestres e bicicletas conseguirem atravessar as ruas.

Não há muitos problemas quanto às ultrapassagens entre bicicletas, pois todas andam na mesma velocidade. Se você seguir o fluxo, sobrevive na boa. Mas, se andar sozinho, está fadado a ficar "ilhado" ao tentar atravessar alguma avenida. Ninguém pára, ninguém freia, nunca alguém cede. É muito comum ver carros baterem a 0,5 km/h, pois ninguém cedeu a passagem ao outro.

A regra dos semáforos também é diferente. Quando um semáforo está fechado, a interpretação que deve ser feita é que somente os carros que pretendiam seguir reto no cruzamento não devem avançar. As curvas à direita ou esquerda, em ambos os sentidos, estão liberadas, então fica um nó no trânsito, e mesmo se há um semáforo verde para pedestres, ainda assim os carros vêm à toda e é preciso tomar cuidado para atravessar. As bicicletas estão sujeitas às mesmas regras dos carros se não há semáforo exclusivo de bicicletas, caso no qual se aplicam as regras de pedestres.

Ninguém se machuca muito pois as velocidades são baixas, os carros raramente passam de 60 km/h na cidade. Sei que algumas coisas que falei podem parecer exagero, mas não são. Só vendo para crer. Não há nada organizado no trânsito da cidade.

Os táxis são muito comuns na China, mas não são só para pedestres. Alguns táxis são pequenas kombis onde é possível entrar com a bicicleta (cabem até 2), e depois que descer continuar o percurso na magrela. O uso destes táxis se justifica, pois mesmo sendo todas as ruas planas, alguns chineses pedalam mais de 50 km por dia para chegar no trabalho. No frio (cheguei a pegar -15o C), não é uma tarefa muito fácil.

Em relação às bicicletas em específico, elas são extremamente simples. A grande maioria tem pneus finos, não tem marchas, possuem um cesto na frente para as compras, e as garupas também possuem cesto ou alguma "trava" para carregar coisas. A catraca tem um diâmetro menor do que estamos acostumados, até porque fica menos cansativo pedalar, já que as velocidades são baixas.

As bicicletas que possuem algum motor elétrico são obrigadas a ter placas de identificação, como os carros. As bikes mais comuns são muito baratas (para a gente), paguei 50 reais em uma para a minha esposa. Outras bicicletas mais arrojadas, com marchas, suspensão e etc, saem por R$ 150,00. As bicicletas com marchas não têm obrigatoriamente 3 coroas, a minha por exemplo tem apenas 2.

Na maior parte dos lugares você pode estacionar a sua bike nas calçadas, junto às milhares que já estarão por lá. Porém, em alguns lugares, é preciso pagar uma fortuna (R$ 0,30) para estacionar a bike. E ai de você se parar no lugar errado, o “tiozinho” ainda te dá bronca.

Os chineses praticamente não cuidam das bicicletas, e qualquer manutenção é corretiva. Vimos algumas bicicletas que deveriam estar em museus, de tão enferrujadas. Provavelmente tinham uns 50 anos ou mais. Um fato bastante curioso é que não há bicicletarias, e sim “tiozinhos” em algumas esquinas onde você pára para encher os pneus ou fazer algum ajuste. Os preços são irrisórios para a gente, mas os caras sobrevivem assim. As bicicletas são compradas em supermercados, normalmente.

Existem muitas bicicletas adaptadas, umas muito bem sacadas e outras que dão medo. Já vi uma para um cara sem pernas, que girava uns pedais com a mão, e já vi também bikes com a garupa adaptada com uma caixa onde cabiam seis pessoas. E, apesar de não ser tão comum assim, existem as bicicletas táxi no melhor estilo "siga aquele chinesinho" do pica-pau.

Eles não usam equipamentos de segurança, mas em compensação é um desfile de moda; chinesas com luvinhas, capinhas, chapéus, máscaras, tudo em prol do padrão de beleza delas que é ter a pele o mais branca possível.

Passear de bike à noite, com a esposa, de mãos dadas, é muito legal. O fato da cidade ser plana realmente faz a diferença e não cansa .


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