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Bike Lá Fora:

» Japão, educação, consciência e muito bom senso sobre duas rodas.

» China, um caos com uma boa dose de organização.

» Amsterdã, uma cidade que se move sobre duas rodas.

» Londres, pedalando entre a névoa da cidade.

Antiguinhas:

» O Meu dia sem Carro 2005 – Ciclistas invadem a Câmara de vereadores de São Paulo.

» Caso USP – Um exemplo que não podemos seguir.

Amsterdã, uma cidade que se move sobre duas rodas

Texto e fotos por Pablo Dias (www.modestiazero.com). Pablo tem 23 anos, é carioca, designer gráfico e se locomove pelo Rio de Janeiro de bicicleta desde 1994.

Estive na Europa em julho e agosto de 2004. Visitei várias cidades, entre elas Amsterdã.

Amsterdã é uma cidade apaixonante! Digo isso por várias razões: a receptividade dos nativos, a beleza da sua arquitetura, a tolerância que todos mantém com os hábitos, crenças e estilos dos demais... e também pela tradição do transporte por bicicletas. Para quem gosta de se locomover pela cidade de bicicleta como eu, estar em uma cidade como Amsterdã é como estar na cidade perfeita. Ainda mais quando se tem uma bicicleta para se pedalar, como foi meu caso em boa parte da minha estadia de 10 dias por lá.

As bicicletas são parte fundamental da identidade holandesa. Ela está no cotidiano da grande maioria das pessoas, e isso é uma das primeiras coisas que se percebe ao se desembarcar lá. Há ciclovias em praticamente todas as vias urbanas (logo, os ciclistas lá não são forçados a dividir o espaço com os carros). As pessoas pedalam para ir à escola, ao trabalho, ao bar, ao parque, à boate. São tão comuns ciclistas jovens quanto velhos, sejam homens ou mulheres. Eu estive em Amsterdã no verão, porém me disseram que nas outras estações as bicicletas existem da mesma forma (todos têm experiência de pedalar de casaco ou capa ou ainda segurando o guarda-chuva em uma das mãos).


Depois das bicicletas, os meios de locomoção mais usados são o tram (um trem de superfície), ônibus, carros e barcos. Devido a essa variedade, as vias urbanas são muito peculiares, com suas calçadas, passeios, ruas, ciclovias, ciclofaixas, trilhos e canais (!), ora se cruzando, ora fluindo paralelos uns aos outros. Há sinalização específica para cada meio de transporte (por exemplo, semáforos distintos para pedestres, bicicletas, tram e carros). Alguns poucos guardas de trânsito advertem e punem os infratores, mas na maior parte do tempo a ordem se mantém muito mais pelo hábito e cultura dos indivíduos.

De certa maneira, bicicletas em Amsterdã têm o mesmo papel que os carros têm no Brasil. São indispensáveis ao dia a dia da maioria das pessoas. Todos já tiveram algumas de suas bicicletas furtadas (por isso, em geral troca-se de bicicleta dentro de um ano). Há um mercado negro bem poderoso.



Porém, ao contrário dos carros aqui, lá não há uma legislação muito rígida sobre o uso das bicicletas. Por exemplo, alguns andam com capacete, mas não é um ítem obrigatório; não há nenhum tipo de identificação como as placas que usamos nos carros aqui.



Nos últimos três dias da minha estadia, consegui uma bicicleta emprestada com um amigo nativo. Assim pude viver um pouco da rotina de um morador que usa sua bicicleta para se locomover pela cidade. E foi fantástico!

Pedalar para mim é sempre um prazer. Nesse caso, foi uma satisfação ainda maior, já que eu estava em um ambiente em que todos os tipos de transporte são admitidos e previstos. Há uma organização que me permitia relaxar e curtir muito mais o passeio. Em nenhum momento tive de me preocupar com o risco de ser atingido por um carro (embora nas vias mais movimentadas, tive sim que atentar para não colidir, mas com outras bicicletas). Pude conhecer essa cidade linda de uma forma vívida, interagindo totalmente com as ruas e as pessoas como se estivesse caminhando, ao mesmo tempo que atravessava grandes distâncias como se estivesse motorizado.

Essa experiência em Amsterdã me fez, em primeiro lugar, ter ainda mais consciência da defasagem que o Brasil possui em relação a esses países mais avançados social, econômico, político e ambientalmente. Porém, ter conhecido essa cidade sobre duas rodas também me incentiva a sonhar e acreditar que as as cidades brasileiras podem dar um passo rumo a uma melhor qualidade de vida, adotando as bicicletas como solução de transporte individual.


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   Campanha “1 Dia Apenas Sem Carro 2005” . todos os direitos reservados.