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Japão, educação, consciência e muito bom senso sobre duas rodas
Texto e fotos por Rodrigo P. Maruyama, Engenheiro Eletricista, professor de robótica e instrutor de aikido. Viajou ao Japão para conhecer a Terra Natal dos avós e treinar Aikido no Hombu Dojo Aikikai. Usa apenas a bike como transporte em São Paulo.
No dia 21 de outubro de 2006, viajei ao Japão a fim de conhecer a terra natal dos meus avós paternos, treinar Aikido e, claro, andar de bicicleta.
Depois de desembarcar em Narita (Tokyo) fui de Shinkansen para Hiroshima, uma cidade moderna, limpa e organizada . O que mais me surpreendeu em Hiroshima foram os estacionamentos para bicicletas subterrâneos. Neles você paga, para deixar sua bicicleta, uma taxa de 100 ienes o que corresponde a mais ou menos 2 reais. Existem até estacionamentos em edifícios onde você sobe por um elevador reservado apenas para este fim. Neste elevador até motos menores podem subir para estacionar.
Outra curiosidade própria de Hiroshima é que as bicicletas devem possuir, além da luz dianteira (obrigatória no Japão), uma trava para prender o guarda chuvas. Caso você esteja pedalando, segurando o guarda chuvas com uma das mãos e o guarda te parar, ele dará uma advertência, mesmo procedimento para aqueles que pedalam sem luzes ou sem identificação na bike.
O japonês usa a bicicleta para ir ao trabalho e às compras. Anda de bicicleta de terno, salto alto, saia e vestido. Na chuva, com sol, com filho, com dois filhos, faz compras, com ou sem chuva. Não tem tempo nem situação ruim para andar de bike.
É comum ver nos dias chuvosos as pessoas com o guarda chuva aberto e capa pedalando pelas ruas e calçadas. Aliás no Japão o normal é andar de bicicleta na calçada junto com os pedestes, apenas os mais rápidos andam pelas ruas junto com os carros. Todas as calçadas são rebaixadas e em todas as esquinas os carros param para pedestres e ciclistas. Não presenciei nenhuma situação onde um carro acertou um pedestre ou bicicleta, mas apenas presenciei um acidente envolvendo um motociclista e um ciclista.
urante minha estada em Tokyo, fazia um percurso de aproximadamente 7 km até o local do treino e levava 30 min pedalando tranquilamente. A rota que eu fazia pode ser visualizada no site http://www.bikely.com/maps/bike-path/tenrikyo-hombudojo.
Existem algumas calçadas onde é proibido pedalar, estes locais estão assinalados com placas, assim como existem locais onde não pode estacionar as magrelas. Caso você desobedeça, o guarda coloca uma advertência te avisando da infração. Ao pedalar pelas calçadas ciclistas e pedestres convivem pacificamente. Alguns esbarrões acontecem, mas nunca vi um xingamento ou briga por causa disso, apenas umas trocas de "sumimasen", (desculpa em japonês) e ambos seguem em frente.
Eu utilizava uma bike emprestada estilo urbana com 5 marchas e para não ser advertido, “Endo san”, a pessoa que me emprestou a bicicleta, escreveu de próprio punho um cartão com as informações necessárias o caso do guarda me parar. Nunca precisei mostrar, mas vi várias vezes pessoas sendo paradas ou para simples conferência ou por estarem pedalando sem a luz dianteira.
A bicicleta padrão custa em torno de 15000 ienes, aproximadamente R$300,00 e vem com “pezinho”, trava roda, luz dianteira com dínamo, para-lamas e cestinha. Existem modelos mais caros quando a bike vem com marcha, cadeira para crianças e motor elétrico muito usado pelos idosos.
É comum em Tokyo encontrar bicicletas encostadas pelas ruas como lixo. Isso acontece, pois para jogar a bike fora, é preciso pagar uma taxa, então é mais fácil deixa-la pelas ruas para servir como peça de reposição para alguém.
O Japão é muito bem servido de metrô, trem, bonde, ônibus, etc. Por isso é comum, próximos à grandes estações, encontrarmos bicicletários lotados durante o dia, pois muitos vão de bike até a estação. Esses estacionamentos podem ser pagos ou não, existem até “coin parking” para bicicletas custando 100 ienes apenas. Em Saitama, grande Tokyo, tive a oportunidade de ver um prédio de estacionamentos só para bicicletas numa estação de trem. O guarda que tomava conta até achou estranho eu querer tirar fotos disso, mas consentiu meio desconfiado.
Percebi durante esse tempo que passei pedalando no Japão que o uso da bike está diretamente ligado a educação do povo. Presenciei várias vezes pessoas esperando abrir o sinal de pedestres, para atravessar uma rua sem movimento, de apenas 4m de largura. Precisamos trabalhar muito ainda para chegar a um estágio de desenvolvimento social próximo do japonês.
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