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» O meu dia de bike no Metrô
(video do quase atropelamento pelo ônibus)


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» Quem venceu o Desafio Intermodal? A moto? A bicicleta? O carro? O Pedestre?

» Dia 20 de setembro, o primeiro desafio Intermodal da cidade de São Paulo.

Bike Lá Fora:

» Japão, educação, consciência e muito bom senso sobre duas rodas.

» China, um caos com uma boa dose de organização.

» Amsterdã, uma cidade que se move sobre duas rodas.

» Londres, pedalando entre a névoa da cidade.

Antiguinhas:

» O Meu dia sem Carro 2005 – Ciclistas invadem a Câmara de vereadores de São Paulo.

» Caso USP – Um exemplo que não podemos seguir.
CARROS versus PESSOAS

Mais uma nova seção do Ciclobr, onde iremos divulgar as diversas vitórias e derrotas que as pessoas sofrem em detrimento do carro. Uma seção para refletirmos o quanto de mal essa cultura pró carro traz para as pessoas. Um placar super interativo, vai começar com um empate, mas sabendo que, com o passar dos dias, esse placar vai virar goleada para os carros.

Como a esperança é a última que morre, cremos que um dia, as pessoas virem esse jogo, para finalmente termos uma cidade mais justa e humana para todos, inclusive para os motoristas que, por incrível que pareça, dentro daquelas máquinas fabulosas existem pessoas como qualquer um de nós.


Carro 1 x 0 Pessoas



Observe bem essa foto. Uma pacata rua sem saída, mas as aparências enganam. Essa rua fica na Vila Prel, zona sul de São Paulo, a menos de 500 metros da Subprefeitura do Campo Limpo e é paralela a uma avenida super movimentada, a Carlos Caldeira Filho que constantemente, mesmo fora dos horários de pico, tem um trânsito muito lento. Nesse dia por sinal, o trânsito estava bom, mas diariamente, vários carros que, mesmo com as placas, cortam caminho por essa rua para ganhar alguns segundos no trânsito.



Olhando mais de perto, vemos uma rua tranqüila que poderia ter crianças brincando, mas no lugar delas, apenas carros de algumas pessoas que, com seu bem privado, ocupam um espaço que deveria ser público. Mas isso é comum a várias ruas de São Paulo, veremos algo bem pior se olharmos com um pouco mais atenção.



Há um acesso a esquerda, mas não é por aí que as pessoas se atrevem a cortar caminho, já que o risco de uma colisão com outro motorista é grande. Notem que há vários carros parados na rua e um comércio no final. Adivinhem que tipo de comércio temos ali.



Uma loja de carros é claro, como não pensei nisso antes. Mas esperem... Essa rua não é sem saída? Então porque essa guia rebaixada aí do lado? Não estou entendendo...


Agora entendi. Para beneficiar o dono dessa loja, essa guia foi rebaixada, pois se não houvesse esse acesso, caso seus clientes motorizados quisessem acessar a loja, seriam obrigados a entrar naquele acesso a esquerda, o que dá muito trabalho né? Imaginem só o trabalhão que seria para eles tirarem seus carros de lá? Seria pior ainda, pois teriam que fazer o absurdo de ir até o final da rua, virar a direita e esperar o semáforo abrir para acessar a Carlos Caldeira com segurança. Com esse acesso eles podem entrar mais rapidamente na loja, até quando vem do outro lado da pista.

Claro que é uma conversão que, além de proibida, é muito perigosa, pois os carros no sentido contrário vem em alta velocidade e com a visão encoberta pelo pilar do Metrô. Mas como o mais importante é facilitar a vida dos “com carros”, dane-se o resto.

Outra solução seria construir uma entrada na lateral da loja, virada para a avenida, mas isso traria muitos custos para o dono da loja e se dá para gastarmos dinheiro público, porque tirar do próprio bolso?



Notem que o trabalho foi bem feito, eu não gostaria de acreditar que a prefeitura é quem foi responsável por esse belo trabalho. Para arrumar nossas praças e espaços públicos falta dinheiro, mas para realizar um capricho do dono de uma loja de carros...



Detalhe, na mesma calçada a metros da loja de carros, as guias não são rebaixadas.



Ou seja, para os carros temos guias rebaixadas, já os pedestres e cadeirantes...

Clique aqui para ver o local exato no Google Maps

Carro 1 x 1 Pessoas



Essa é uma calma viela onde os pedestres tendem a caminhar com tranqüilidade, longe dos carros. Aqui um senhor sente segurança para passear com seu filho, situação rara em nossa cidade.



Mas tudo que é bom dura pouco. Não demora muito e aparece um carro, que quer aproveitar a tranqüilidade da viela e fugir de seus parceiros de fumaça. Para isso ele usa o caminho como uma “alternativa” ao trânsito lento da Avenida Carlos Caldeira que fica a uma quadra a esquerda. O engraçado que até carros querem distância de outros carros. Nem que para isso ele tenha que apavorar os seres humanos, os mais fracos na história que, “em tese”, de acordo com as leis que regem os condutores, deveriam ser protegidos pelos mais fortes.



Fim da paz dos não motorizados, quanto mais os pedestres fogem dos carros, mais eles se aproximam. Uma guerra diária em busca de um espaço para colocarmos nossas máquinas assassinas e poluidoras.



Luzes acesas, mas o que esta acontecendo? O primeiro carro esta dando marcha ré? O que será que fez com que esse carro tivesse que dar meia volta? O que será que aconteceu nessa cidade amiga dos carros, que impedisse nosso amigo de seguir viagem?



“Quem foi o maluco que colocou isso aqui? Onde já se viu, seus filhos da $#@%$, bloqueando a rua... E o meu direito de ir e vir???!!!” Esta foi a frase proferida por um motorista super educado para os senhores que estavam trabalhando no local. Uma empresa terceirizada que trabalhava a mando da Sub Prefeitura do Campo Limpo, consertando a calçada que estava completamente destruída. Porque ela estava destruída? Acho que foi por causa do enorme número de pedestres que passam por lá diariamente, só pode ser.



Segundo os funcionários que ali trabalhavam, devido aos constantes atropelamentos naquela viela, os Sub Prefeito mandou fechar o acesso. Eu passo por essa viela todos os dias na volta pra casa e não foram poucas vezes que vi carros passando por lá a mais de 60 km/h, mesmo com pedestres andando pela via.

As vezes eu passava naquela viela e encontrava algumas crianças andando de bicicleta, mas era muito raro, mesmo porque, de uns meses para cá, esse caminho foi sendo descoberto pelos motoristas e como sempre, chegam os carros e levam a paz embora.



Mas a esperança é ver o dinheiro público sendo gasto, não em prol dos carros, mas em prol das pessoas. A luta é longa e as chances de vitórias são pequenas, mas fiz essa coluna começar com um empate, para mostrar que temos condições de virar o jogo. Basta apenas querer e mostrar as autoridades o que, não só queremos ser ouvidos, mas como estamos dispostos a apoiar qualquer atitude em prol das pessoas.

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   Campanha “1 Dia Apenas Sem Carro 2005” . todos os direitos reservados.