Se você parar um cidadão na rua, e perguntar sua opinião sobre a possibilidade dele utilizar a bicicleta como meio de transporte, e ele não for um ciclista, certamente vai dizer, “Isso é um suicídio!”.
Agora, se você perguntar a um dos 300 mil ciclistas que utilizam a bicicleta diariamente, como principal meio de transporte, com certeza este irá dizer: “Realmente é muito perigoso, não temos nenhuma infraestrutura urbana que nos incentive a prática, mas eu não troco minha 'magrela' por outro meio de transporte”.
Para sobreviver pedalando em um trânsito que mata, em média, 100 ciclistas por ano, os ciclistas da cidade de São Paulo procuram utilizar rotas alternativas para fugir do tráfego pesado (Ônibus e Vans) e das vias mais perigosas. Com base nisso, consultei ciclistas experientes de diversos pontos da cidade e com um mapa em mãos, cada um traçou as rotas que consideram mais seguras, utilizadas por eles, para se deslocarem pela cidade.

No mapa, os riscos mais escuros são as ciclorotas
No “Dia Da Cidade Sem Carro” (22 de setembro) de 2006, em audiência com o Prefeito Kassab, apresentamos o projeto do Rodízio Ampliado e um esboço do Projeto Ciclofaixas. Como o projeto ainda esta na fase de coleta de dados, o senhor Kassab pediu para que fizéssemos uma apresentação oficial do projeto, assim que ele for concluído.
Mas o que é esse projeto CicloFaixas?
O Projeto Ciclofaixas consiste em criar um mapa digital da cidade de São Paulo, com as rotas mais seguras para os ciclistas se deslocarem pela cidade. Esse mapa ficará a disposição, gratuitamente, de todos aqueles que desejarem informações para utilizar a bicicleta como meio de transporte.
A primeira fase, consiste na entrevista com os ciclistas. Essa fase foi cumprida entre 2005 e 2006. A segunda fase será o mapeamento propriamente dito. Com minha bicicleta, equipado com um aparelho GPS, máquina fotográfica e filmadora, irei percorrer todas as rotas previamente marcadas, registrando dados como distâncias, velocidade média, altimetria, etc. Com todos os dados em mãos, se iniciará a terceira fase do projeto que consiste na criação do mapa em formato digital e na compilação de todos os dados registrados.
Esse mapa será apresentado ao prefeito e disponibilizado para consulta online. Assim qualquer pessoa poderá verificar qual a rota mais segura para se deslocar pela cidade. Além disso, o mapa trará informações importantes em relação a segurança, já que criaremos uma classificação, para cada trecho, no que diz respeito ao riscos existentes no local para os ciclistas. Também usaremos o mapa para sugerir intervenções pontuais que poderão melhorar, não só a vida do ciclista, mas também do pedestre e do usuário do transporte coletivo. Para termos uma cidade mais humana, é necessário incentivar as pessoas a deixarem seus carros em casa, trocando por um meio de transporte que não traga tantos danos a cidade.
Já a proposta que levaremos ao Prefeito será a de solicitar a CET que faça a demarcação dessas vias, criando um Sistema Cicloviário baseado em Ciclo-faixas. Não será necessário construir vias exclusivas, tão pouco eliminar as já existentes. O máximo de interferência que poderá ocorrer, será o estreitamento de algumas vias para pintar uma faixa de, no mínimo, 1 metro de largura, exclusiva para ciclistas.
Vale ressaltar que atitudes de restrição aos veículos são as únicas alternativas para darmos um basta ao caos que é causado, exclusivamente pelos carros. São Paulo tem 6 milhões de veículos que são utilizados apenas por 30% da população. (Isso mesmo, 70% da população não tem carros). Muitas cidades já vem utilizando políticas de estreitamento de faixas, visando diminuir a velocidade dos carros em determinadas vias e conseqüentemente, aumentando o espaço destinado para pedestres e ciclistas.
Em diversas cidades do mundo, onde os males causados pelos veículos são controlados, existe uma enorme dificuldade em se estacionar em qualquer via, já que a maioria, principalmente as que ficam em bairros residenciais, existem ciclofaixas dos dois lados da via, o que inibe o motorista a usar seu veículo, já que ele terá uma enorme dificuldade em estacionar sem cometer uma irregularidade de trânsito, ou seja, parar sobre a ciclofaixa.
Já em São Paulo ocorre exatamente o oposto. A vagas gratuitas e pagas são extremamente fartas, o que beneficia apenas essa minoria da população, fazendo com que um espaço que deveria ser público, traga benefícios apenas para os bem aventurados, donos de carros, que podem estacionar seu bem privado, trazendo luxo e conforto para si e prejuízos para toda a cidade. Devido a isso que iremos sugerir em nosso projeto que muitas dessas vagas sejam extintas e que no local sejam pintadas ciclofaixas, o que beneficiará a grande maioria da população.
Um ótimo exemplo é a alameda Maracatins em Moema. Ela possue duas faixas para carros e outras duas para estacionamento. Nesse caso em específico, iremos sugerir que seja pintada uma faixa exclusiva para ônibus na direita, o que beneficiará os usuários do transporte público, que se mantenham duas faixas para carros, no meio e mais estreitas, para que eles não andem em alta velocidade numa região com grande movimento de pedestres e uma ciclofaixa na esquerda. Essa seria uma atitude que humanizaria o espaço público e desestimularia as pessoas a usarem seus carros, principalmente em pequenos deslocamentos. Além de afastar os ônibus dos ciclistas, já que foi comprovado que a maioria das mortes de ciclistas são aquelas causadas em acidentes envolvendo ônibus.
Faça as contas, São Paulo tem uma população de 13 milhões de pessoas para 6 milhões de carros, sendo que apenas 30% da população, algo em torno de 4,9 milhões tem carros. Devido ao crédito facil e a facilidade em se comprar um carro velho, já imaginaram como essa cidade ficará quando 60% da população tiver carros?
A sugestão é que o Prefeito faça essa implantação em caráter de teste, por um tempo de, pelo menos 6 meses. Ao final, a Prefeitura faria uma consulta popular perguntando se a cidade aprova essa nova tendência e caso houvesse uma grande aprovação, (como acreditamos no bom senso da maioria, isso é inevitável), nosso prefeito teria respaldo para aumentar ainda mais a restrição aos veículos automotores e investir ainda mais em vias exclusivas para transporte público e em um sistema cicloviário mais abrangente e seguro. Caso não ocorra essa aprovação, seria necessário apenas apagar as ciclofaixas e deixar tudo como era antes.
Nesses anos de cicloativismo, notamos que dificilmente esta idéia será rejeitada, por mais que haja pressão por parte de alguns motoristas que pensam ser os únicos que merecem ter condições para se deslocar com segurança pela cidade, é sabido que eles são uma minoria. Mas infelizmente é essa minoria é formada pelos donos dos canais de informação que em grande parte temem em perder verbas de anúncios da indústria automobilística a única a lucrar com esse caos social que vivemos.
Basta notar que quando a qualidade do ar atinge proporções críticas, ao invés de aconselharem as pessoas a evitarem usar seus carros, eles sugerem que as pessoas evitem fazer exercícios físicos. Ou seja, justamente nós que pedalamos para tentar diminuir a poluição, somos incentivados a usar nossos carros, piorando ainda mais a qualidade do ar.
Portanto, a grande maioria da população, aqueles que carro é apenas um sonho ou um luxo, serão os grandes beneficiados com essas melhorias, pois terão uma oportunidade de se deslocar pela cidade com rapidez e segurança, tanto usando o transporte coletivo que não ficará mais sujeito ao trânsito da cidade, ou com essa nova alternativa, a bicicleta, que significa um carro a menos, ou mais espaço nos transportes públicos para quem realmente precisa.
Isso tudo sem falar nas 100 mães que todos os anos, não serão mais obrigadas a enterrarem seus filhos só porque eles resolveram utilizar um meio de transporte que não poluí, não congestiona e que só traz beneficios, tanto ao ciclista, como a toda população.
Maiores informações sobre o Projeto Ciclofaixas, entre em contato com ciclobr@ciclobr.com.br
Antes de mais nada, vou me desculpar pois esse mapa não tem nenhum fim comercial e todos os mapeamentos, bem como as atualizações desse site são realizadas em meu pouquíssimo tempo livre, por isso a demora no mapeamento em si. Mas melhor devagar do que totalmente parado, portanto conto com a sua compreensão e fique ligado pois sempre teremos novidades no Blog Ciclofaixas e no Ciclobr.
Você poderá acompanhar o andamento do projeto clicando nos links do lado direito, no blog do Projeto CicloFaixas.
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