Ciclo Twittado

Siga-me no Twitter

 
Seja avisado sempre que houver novidades no CicloBr
     
Projeto Ciclofaixas :

» Saiba mais sobre o Projeto CicloFaixas

Blog:

» Ciclovia da Radial – Ta saindo...

» Novidades no Projeto Ciclofaixas. Parceria no desenvolvimento do Mapa de rotas.

» Projeto Ciclofaixas – Mapeamento Capão Redondo até o Brooklin

» "Caminho Verde", a ciclovia da Radial Leste

» Relação Rodízio de Carros X Ar que você respira

» Meu primeiro Post, início do mapeamento da cidade

Caminho Verde, a ciclovia da Radial Leste

Dia 15 de junho de 2007, fui conferir o lançamento oficial do Caminho Verde, a ciclovia que será construída na Radial Leste, ligando as estações Itaquera e Tatuapé do metrô de São Paulo. Serão 12 quilômetros de ciclovia que atenderá uma região onde existe uma enorme demanda pela bicicleta, diferente das ciclovias da Sumaré e Faria Lima, a da Radial tem como principal público alvo, pessoas de baixa renda, que poderão economizar o dinheiro gasto com transporte coletivo e usar a bicicleta como meio de transporte.

No pacote da Ciclovia, esta a construção de mais 2 bicicletários, um na Estação Carrão e outro na Estação Itaquera. Como o evento estava marcado para as 14:00, saí bem mais cedo de casa, fui com minha dobrável até o Metrô Itaquera e fiz o percurso de bicicleta, justamente pela calçada que irá se transformar em ciclovia.

Um dos maiores medos dos cicloativistas é que para a construção de ciclovias, o estado tome ainda mais os espaços dos pedestres. Essa ciclovia será implantada em uma calçada que beira a linha do trem, por praticamente toda a Radial Leste. Como não sabia detalhes sobre o trajeto exato da ciclovia, fui pedalando por instinto, analisando cada trecho e imaginando quais seriam as adaptações pontuais para a implantação da ciclovia, bem como os pontos mais críticos.

Chegando em Itaquera, fui conferir o “bicicletário extra oficial” que existe no local. Já era de meu conhecimento que os ciclistas da região usavam as grades do metrô como bicicletários e sabia também que constantemente, os ciclistas tinham suas bicicletas roubadas.

Vi poucas bicicletas nas grades, mas perto de um estacionamento clandestino de motos, haviam várias bicicletas pressas na grade. Segundo o guardador, os ciclistas não são obrigados a pagar nada, pois eles ganham mesmo dinheiro com as motos. Mas eles tomam conta das bicicletas mais por camaradagem do que por dinheiro.

Os ciclistas mais antigos, não pagam nada, apenas aqueles mais novos ou os que usam o bicicletário de vez em quando, quando muito deixam centavos ou no máximo um real.

Na inauguração do Bicicletário da Guilhermina, falei ao Serra que um bicicletário como aquele em Itaquera seria pequeno. Na minha visita avistei umas 30 bicicletas presas nas grades no entorno, com a construção desse futuro bicicletário, sem dúvidas teremos até motoqueiros trocando sua moto pela bicicleta, já que no bicicletário ele trará segurança e economia, pois não será cobrado nada dos ciclistas.

Agora vamos para a ciclovia, saí da estação e segui pela calçada, logo no primeiro trecho já tive que ultrapassar um pedestre, mas ele foi um dos poucos que encontrei em todo o trajeto. A calçada alterna larguras de 15 a 20 metros e trechos com 1 metro apenas. Nesses trechos estreitos, o mais sensato é aumentar o tamanho da calçada, conseqüentemente diminuindo a largura da rua, mas... Taí uma coisa difícil de ver nos governantes, coragem para reduzir o espaço destinado aos carros. Principalmente se for em benefício de um meio de transporte eficaz e inteligente como a bicicleta.

No meu ponto de vista de Itaquera até ao complexo Aricanduva, a ciclovia pode perfeitamente ficar no lado do muro do Metrô. Chegando próximo ao complexo viário, devido aos viadutos, realmente existe uma grande dificuldade. Nesse ponto teríamos duas opções, a primeira é passar a ciclovia para a calçada sentido bairro. A segunda é continuar beirando o muro do Metrô, passando por debaixo dos viadutos, se necessário, usando até um pedaço do terreno do metrô.

Todas as ruas que saem na Radial tem semáforos que podem ser usados como acesso dos ciclistas a ciclovia. Inclusive o acesso dos ciclistas ao Bicicletário da Guilermina, pode ser realizado pelo semáforo da entrada da rua Artorga, que dá acesso a entrada da estação. Inclusive fiz uma visita ao bicicletário para saber como estava o movimento nele. Detalhes sobre esse bicicletário vocês poderão conferir em minha próxima postagem. Para os ciclistas que vem da Avenida Aricanduva, pode ser construída uma ciclovia no sentido bairro para integra-los, com segurança, a ciclovia principal.

Passando esse ponto crítico, a ciclovia volta ao normal podendo usar a calçada praticamente abandonada pelos pedestres. Apenas em locais onde há pontos de ônibus, mas isso se resolve com uma convivência pacifica sem problemas.

Foram exatos 11,5 quilômetros até o Metrô Tatuapé em apenas 45 minutos. Isso levando em conta que fiz diversas paradas para registro de imagens. Aproveitei que ainda tinha tempo e fui fazer o mapeamento da Ciclorota que liga o Tatuapé com a região central da cidade.

Depois de percorrer a Ciclorota, voltei para o metrô Tatuapé e fui conferir o evento de lançamento da Ciclovia. Lá pude conversar com o Secretário do Verde, Eduardo Jorge que me explicou mais ou menos como será a construção. A prefeitura vai pagar a ciclovia que será construída pelos técnicos do próprio Metrô.

Vendo algumas fotos nos painéis, percebi que a Ciclovia vai mudar de lado e, algumas vezes, percorrer pelo canteiro central. Pelo que pude conferir durante o percurso do trajeto da futura ciclovia, não há a menor necessidade dela passar pelo canteiro central, tão pouco passar para o outro lado da pista, sem contar no risco que essas transições podem trazer ao ciclista.

Primeiro porque a pista do canteiro central é muito estreita, nos trechos mais largos não deve ter mais do que 5 metros. Segundo as imagens dos painéis, a ciclovia será sinuosa fazendo verdadeiros “S” entre as árvores. Imaginem um ciclista pedalando a uns 20km/h, velocidade facilmente atingida por qualquer ciclista. Vamos supor que ele se desequilibre e se choque com uma árvore ou um ciclista no sentido oposto, o que poderá ocorrer? Devido à calçada estreita, as chances de ele rolar para a pista são enormes e ele cairá bem na faixa onde os veículos rodam em alta velocidade. Ainda mais nessa cidade onde os motoristas só respeitam os limites de velocidade quando vêem um radar, teremos grandes chances de ocorrer um atropelamento e com isso, o sepultamento da nossa ciclovia.

Segundo informações que obtive junto a Secretaria de Transporte do Estado, a maior parte mesmo do percurso será nesse muro, junto ao Metrô e ainda não esta definido como eles farão nos pontos mais sombrios. Mas, segundo informações que obtive, eles vão evitar ao máximo fazer a ciclovia passar no Canteiro Central e isso só irá ocorrer se realmente o ciclista tiver toda segurança necessária. Senti uma enorme boa vontade por parte Estado em relação aos ciclistas e uma predisposição para o diálogo, vou procurar acompanhar todos as etapas dessa ciclovia, tanto para auxilia-los, como para manter o pessoal informado.

Comentando sobre os discursos, lamentei o nosso prefeito que ao falar da ciclovia, procurou ressaltar apenas o paisagismo e a plantação de algumas árvores, não falando uma linha sobre a importância do incentivo aos deslocamentos de bicicleta na cidade.

Já o Governador, que nos disse em outra oportunidade que já foi ciclista e que na época de estudante usava a bicicleta como principal meio de locomoção, em seu discurso salientou da importância desse modal, dos benefícios que essa ciclovia vai trazer as pessoas mais humildes da zona leste e também dos possíveis carros que essa ciclovia pode tirar da rua. Estou cansado de ouvir discursos de políticos, mas sempre é bom ouvir alguém que defenda o uso da bicicleta, por mais que muitas vezes, as idéias fiquem só no discurso, o que não parece ser o caso.

Vamos acompanhar, se tudo correr bem em Janeiro estaremos novamente em Itaquera, mas desta vez para inaugurar essa ciclovia, o primeiro grande corredor de muitos outros que lutamos para que possam aparecer em nossa cidade.

Clique aqui para ver o mapa do trajeto

Clique aqui para ver a altimetria


Clique aqui ver o trajeto da Ciclovia

Clique aqui para ver a Ciclorota do Tatuape até o Parque Dom Pedro

André Pasqualini

   Campanha “1 Dia Apenas Sem Carro 2005” . todos os direitos reservados.