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Caso USP – Um exemplo que não
podemos seguir
Não adiantou
ciclistas pedalarem debaixo de chuva, para entregarem
um abaixo assinado e pedir uma audiência para
propor soluções. Não adiantou a
opinião pública se manifestar, com indignação,
contra essa arbitrariedade. Não adiantou o Secretário
de Esportes do Estado de São Paulo, Lars Grael
interceder em favor dos ciclistas. Não adiantou
o Governador Geraldo Alckmin se manifestar a favor dos
ciclistas e pedir para que o conselho da USP sentasse
conosco e entrassem num acordo justo para ambos os lados.
De nada adiantou a morte de dois ciclistas na rodovia
dos Bandeirantes, ciclistas estes que treinavam durante
a semana na USP e devido a proibição,
foram obrigados a treinar nas rodovias, nem assim as
“Autoridades” da USP se sensibilizaram e
voltaram atrás daquela infeliz decisão
de fechar a USP para TODOS os ciclistas.
Depois de tantos meses, apenas um grupo de ciclistas
filiados a Federação Paulista de Ciclismo
podem utilizar as áreas do campus para seus treinos,
isso graças a uma liminar da justiça.
Mas o pior de tudo é que a grande maioria dos
ciclistas, aqueles que usavam a USP para passeios, ou
para cortar caminho, como fazem 90% dos carros que por
lá passam, continuam proibidos de pedalar.
Ao invés da Prefeitura do campus, dar um exemplo
à cidade e organizar o trânsito dentro
da USP, com ciclovias, ciclofaixas, com atitudes inteligentes
separando os carros, ciclistas e pedestres. Ao invés
de usar o “alto nível intelectual”
das pessoas que comandam, uma das principais universidades
pais, para resolver esse problema de maneira justa e
democrática, fizeram justamente o oposto.
Essa é uma atitude que a cidade tem o dever de
repudiar, atitude essa ditatorial e extremamente preconceituosa,
já que devido à “falhas” de
um pequeno grupo, punem toda uma categoria, como se
todos fossem iguais.
Há alguns anos, nos finais de semana, eu e meus
amigos pegávamos nossas bicicletas e pedalávamos
até a USP. Lá chegando, passeávamos
por suas ruas tranqüilas e as vezes, jogávamos
voley em redes armadas nos estacionamento.
Isso não durou muito tempo, e logo esses “senhores”
resolveram fechar a USP para a população
nos finais de semana. Não contente com isso,
agora proibiram os ciclistas. Como eles ainda não
devem estar contentes, não estranhem se, muito
em breve, eles proibirem a entrada de “qualquer
pessoa”, não vinculada a USP.
Eu sou um ciclo-ativista e procuro, sempre que possível,
usar a minha bicicleta para me locomover na cidade.
A USP tem bibliotecas públicas, hospitais, etc.
Se um dia eu precisar ir até a USP, não
poderei adentrar, pois estarei de bicicleta. Não
importa se esteja fazendo um tratamento, uma pesquisa,
não importa. Simplesmente não posso e
ponto.
Por ironia do destino a alguns anos atrás eu
tive um problema nas mãos. Sempre que terminava
um longo pedal, minhas mãos perdiam toda a sensibilidade,
não conseguia nem segurar um garfo. Depois de
passar por diversos especialistas, um deles me encaminhou
para uma especialista da USP, onde fiz um exame de DNA.
Foi descoberto que a causa do meu problema era uma falha
num dos meus genes e não havia cura. Aliás,
segundo eles havia, bastava eu parar de pedalar.
Depois de diversas adaptações na minha
bicicleta, consegui amenizar meu problema e continuo
pedalando. Pode até parecer uma que eles sugeriram
que eu parasse de pedalar, pois sabiam que num futuro
próximo, traria muita “pentelhação”
para eles... rs.
Ledo engano, pois por mais que deixasse de pedalar,
nunca deixaria de ser um cidadão.
André Pasqualini
Cicloturista e responsável pelo site CicloBR. |
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