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Veículos inteligentes inauguram a “Ponte Estragada Estaiada”
12/05/2008
Trilha sonora do Plá
Dia 10 de maio de 2008, São Paulo ganhou um monumento. Uns acham “fenomenal”, outros horrível. Uns acham uma maravilha da engenharia, digna de um documentário da Discovery Channel, outros já acham um gasto exagerado de dinheiro público e uma obra com soluções de impacto mais impressionista do que práticos. Mas infelizmente são poucas pessoas que percebem o que realmente simboliza essa obra.

Essa obra foi cercada de inúmeros erros e também hipocrisia. Esse governo foi contra essa obra durante a campanha e mesmo depois que assumiram a prefeitura. Tiveram a oportunidade de alterar o projeto e fazer um pouco de justiça social, mas insistiram em tocar adiante apenas diminuindo a megalomania. Ao invés de duas torres em “V”, (isso mesmo, no projeto original teria um "V" invertido) criaram uma solução colocando as duas rampas num único “X”.

Poderia gastar centenas de linhas falando sobre todos os problemas e contradições da obra, mas vou procurar focar apenas na manifestação durante a inauguração. Esse “estilingão” irá render alguns temas no CicloBR, ainda vou falar e provar que o Decreto 34.854/95 poderia ser cumprido e fazer todo o possível para convencer a Prefeitura para construir um acesso seguro, tanto para pedestres como para ciclistas.

Gustavo Scatena / Imagem Paulista
Voltando a manifestação, ajudado pela insônia, fui o primeiro a chegar, marcamos as 9 da manhã mas 8 já estava lá, assim pude conferir a melhor maneira de chegarmos até o alto da ponte.

Alguns ciclistas que vieram pela Águas Espraiadas disseram ter visto uma concentração de latas na avenida, em frente ao acesso da pista inferior, sentido bairro. Fomos sondar e descobrimos que os carros passariam pela parte baixa mesmo, inaugurando a ponte. Resolvemos mudar nossa concentração para junto com os carros.

Era nítido que algumas pessoas se irritaram com nossa presença, mas o mais legal é que muitos aprovaram a manifestação. Uma senhora que iria participar do desfile pediu uma mascara como a minha, como tinha várias, cedi uma a ela e aproveitei para sair distribuindo entre os participantes, em segundos todas minhas 20 mascaras acabaram.
Muita fumaça, vazamentos de óleo, carros que andam com o mecânico no banco do passageiro, empurra daqui e o comboio seguiu em direção da ponte. Lá fomos nós, as bicicletas em torno e no meio dos carros, foi quando na entrada da ponte uma cena bizarra.
Haviam 3 policiais da GCM e uma policial, no melhor estilo “Bedel”, segurou o guidão da minha bicicleta e disse “Bicicleta não pode!”. Um outro segurou o Thiago no outro canto, então fui para perto da mureta puxando a marcação, deixando a “entrada da área” livre para a invasão das bicicletas, um verdadeiro “Boi de Piranha”. Até que num momento o guarda do outro lado gritou, “Deixa passar, já passou todo mundo mesmo!!!” Lá fomos nós, as Bicicletas inaugurando o Estilingão, muito diferente que uma mídia divulgou.

Henrique Parra / CMI
Chegando lá fizemos o nosso Piquenique embaixo do mais novo “Monumento a Segregação” da cidade. Foram momentos únicos, onde vislumbramos uma cidade livre de carros, pelo menos por algumas horas.

Ficou o sonho de que, um dia haverá uma equiparação de valores, o mesmo que gastarem com os carros, se gastará com as pessoas. Valorizar as pessoas ao invés dos carros é a melhor solução para se pacificar as cidades. Infelizmente não dá para agradar a todos e alguns acham que “manifestantes não tem o que fazer” mas fazer o que?

Gustavo Scatena / Imagem Paulista
Tem pessoas que não querem saber de mudanças, de alguma maneira esta bom do jeito que esta. Ainda bem que eles são minoria, mesmo assim acredito que um dia eles irão se desvencilhar da dependência do carro, da dependência de informações da grande mídia e verão que a vida é muito melhor para quem “faz a hora” do que para quem “espera acontecer”.
André Pasqualini
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