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Uma ciclovia as margens do Rio Pinheiros?
10/06/2008

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, possuem um projeto para a construção de uma ciclovia nas duas margens do Rio Pinheiros, ligando o Autódromo de Interlagos até a Ponte da Ceagesp. Serão 44 km de ciclovias que transformariam essa região do Rio Pinheiros no maior parque linear da cidade de São Paulo.
Segundo informações da Secretaria, já existe uma verba de 19 milhões para a construção da ciclovia, o problema é que infelizmente, a velocidade dos projetos cicloviários da nossa cidade não acompanham a velocidade das intervenções pró-automóvel, o lado bom é que ao menos o projeto existe e também pessoas trabalhando nele.

Esse projeto será executado em etapas, a primeira será apenas na margem oeste (lado da periferia) ligando o Autódromo de Interlagos até a Usina da Traição, próximo a Avenida dos Bandeirantes, algo em torno de 15 km. Atualmente ele se encontra na CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços, a empreiteira do estado) que esta elaborando o projeto básico.
Um dos maiores entraves ao projeto é em relação aos acessos para a ciclovia. A princípio estão previstos apenas acessos em Interlagos, junto a Ponte do Socorro e na Ponte João Dias. Ou seja, o trecho entre a João Dias e a Usina da Traição (7 km) não há previsão de acessos.
Há alternativas para esses impasses, que dependem apenas de concessões internas dentro do governo. É possível fazer a travessia do Rio pela Usina da Traição, já do outro lado existe uma passarela independente da CPTM ao lado da estação.


Detalhes da passarela ao lado da estação Vila Olimpia
Mas o governo pode sim investir um pouco mais e entregar para a população muito mais do que apenas uma margem com ciclovia. Na margem leste (lado do centro), junto à linha da CPTM existe uma pista em excelentes condições, ou seja, temos ciclovia pronta. Os únicos investimentos necessários seriam a colocação de uma grade, separando a linha do trem da ciclovia e a construção de passarelas.
Exibir mapa ampliado
Segundo estudos, com menos de 1 milhão de reais seria possível colocar os 22 km de grades necessárias. Depois temos um problema em relação aos veículos da CPTM e da Emae que usam a ciclovia como pista de serviço. Como eles são poucos, nada os impede de compartilhá-las com os ciclistas.

É possível realizar um controle eficaz, pois além da segurança aos ciclistas e pedestres, a diminuição da velocidade dos carros traria um grande benefício à fauna local, caindo drasticamente a quantidade de atropelamentos de animais silvestres que vivem nas margens do Rio Pinheiros. Há muitas aves e até capivaras, que constantemente são encontradas mortas, atropeladas por esses veículos de serviço. Até colisões frontais entre os veículos já ocorreram.

Ao invés de investir em pontes que cruzam todo o rio, podemos investir em diversas passarelas passando sobre a pista dos carros apenas e investir apenas em alguns pontos de travessia do rio, ligando apenas as ciclovias. Assim o ciclista que tiver que atravessar o Rio pode acessar a ciclovia pelo ponto mais próximo a ele, pedalar até uma ponte de transição, ir para o outro lado e realizar a travessia por uma passarela.
Em 2005 a Fundação Birmman apresentou um projeto para a construção e manutenção desse parque com a construção da ciclovia nas duas margens do rio. Um projeto muito rico e detalhado, infelizmente a renda desse projeto viria da exploração publicitária das placas de propaganda que haviam nas marginais. Com a Lei Cidade Limpa, essa fonte secou, mas nada impede o estado a adotar as soluções por eles sugeridas, entre elas as sugestões que se referem aos acessos.
Na margem leste, é possível aproveitarmos as estruturas das estações da CPTM para realizarmos essas travessias, seria necessário apenas um investimento para adaptações dessas passarelas.Para as travessias sobre o rio, existem algumas possibilidades simples e a custo muito baixo, como o reaproveitamento das antigas pontes do Morumbi e do Ceagesp. Com a construção de pequenas rampas de acesso a essas pontes desativadas, o ciclista que quer ir para o outro lado da marginal pode, acessar a ciclovia pelo pela passarela mais próxima, pedalar até um dos pontos de mudança de margem e sair pela passarela.

Num segundo passo, com base nas possíveis demandas, é possível construir pontes “exclusivas” para pedestres e ciclistas sobre o rio, ligando apenas as duas ciclovias. Já as passarelas de acesso, além das estações da CPTM, podemos utilizar uma parte dos 19 milhões que o governo do estado destinou para essa ciclovia, já que economizaríamos dinheiro com o asfaltamento da margem leste (da CPTM), ou realizar parcerias com a iniciativa privada.
Essa ciclovia seria um dos maiores empreendimentos viários da cidade, pois incentivaria milhares de pessoas a usarem a Bicicleta para trabalhar, pois criaria uma excelente alternativa ao caótico trânsito das marginais aos trabalhadores da região. Além da criação de uma imensa área de lazer, com quiosques, restaurantes, atividades esportivas, áreas de lazer, etc. Sem contar no natural trabalho de educação ambiental e conscientização da população no que diz respeito despoluição dos Rios de São Paulo.

Claro que o estado tem muita responsabilidade na despoluição dos rios, mas se o paulistano observar mais de perto, verá que grande parte daquela sujeira que há lá é a mesma que encontramos nas ruas das nossas cidades. Assim ele pensará duas vezes antes de jogar seu lixo no chão, tornando-o um cidadão mais responsável e motivando-o a cobrar, com muito mais ênfase, a despoluição do Rio. É possível vermos essa cidade recuperada, com pessoas nas ruas, rios limpos e muito mas muito respeito a vida, algo que ultimamente não vemos no trânsito da nossa cidade.
André Pasqualini
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