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Operação Pomar 2.0 – “O seu Serra”, a ciclovia tá pronta, libera aí vai!!!
08/09/2008

Simulação de uma realidade plausível.
Depois da primeira Operação Pomar, uma expedição pelas margens do Rio Pinheiros em São Paulo, apesar de toda a aventura, de conseguirmos mostrar o quão é viável a construção de uma ciclovia nas margens dos rios, algo que me frustrou enormemente foi não ter conseguido ver uma capivara sequer. Mas o vírus do velho “Indiana” deu suas caras e voltamos ao Pomar “em busca da Capivara Perdida”.

Eu e meu amigo Felipe pedalamos até a entrada do Pomar, próximo ao Lixão de São Paulo, que fica ao lado da Billings (nossa caixa d’água) e acessamos a via de manutenção da Emae. No caminho encontramos um triatleta na via. Ele é um funcionário da Emae que usa a via para treinamentos.
Ficamos sabendo através dele que a via também é usada pelos funcionários como “alternativa ao trânsito das marginais”. Podem até reclamar que entramos sem “autorização”, mas pior é ver um bem público, que deveria ser usado por toda a população, seja acessível apenas a alguns privilegiados funcionários ou publicitários para vender carro.

Aquela pista é uma Ciclovia pronta, bastando apenas cercar com grades o trecho de 14 km que fica entra a Represa Bilings e a Usina da Traição no começo da Avenida dos Bandeirantes. Segundo apurei, o custo da cerca não seria maior que 1 milhão de reais.
Acessos? Passarelas que poderiam ser construídas junto às estações da CPTM, ou independentes, construídas pela prefeitura ou pela iniciativa privada, ou até mesmo aproveitar algumas entradas que já existem. Está muito fácil de a cidade ganhar uma maravilhosa ciclovia, bastaria apenas um pouco de vontade política e em menos de 6 meses, teríamos um grande presente.

Cocô de capivara... Estávamos na rota certa...
Mas voltando a busca da capivara perdida, não demorou muito para encontrarmos fezes desses grandes roedores no meio da pista, sinal de estávamos na rota certa. Antes passamos por uma estação de Flotação no Rio Pinheiros. Descrevendo por alto, o sistema de flotação serve para tirar a impurezas sólidas do rio, eliminar o odor e deixá-lo com aparência de limpo, sem deixar a água própria para consumo.

Estação de Flotação
Passando pela ponte João Dias, do outro lado do rio, noto uma movimentação na saída de um córrego. Lá estavam elas, nossas amigas mutantes do Rio Pinheiros, as Capivaras. Apesar de longe, deu para ver muito bem elas tomando sol, os filhotes brincando, foi uma alegria imensa vê-las num lugar tão inóspito. Mesmo com a poluição do rio, o fato de constantemente serem vítimas fatais dos carros “de serviço” que trafegam ali em alta velocidade, elas continuam guerreiras, como os ciclistas que insistem em pedalar nessa Sociedade do Automóvel.

Família de Capivaras que sobreviveram a matança com armas motorizadas

Detalhe das capivaras mutantes do Rio Pinheiros.
Seguindo em frente, fomos até a Usina da Traição para saber se daria para atravessar, continuando nossa expedição. Chegando lá encontramos um portão aberto, mas ninguém por perto. Como cachorro sem dono, fomos entrando, contornamos uma casa e logo a nossa frente já encontramos a saída.
Não haviam seguranças, mas vários cachorros tomando conta da entrada (saída). Sem muito saber o que fazer, eles vieram em nossa direção e nós na direção deles, ou seja, da saída. Nesse momento não conseguimos prestar atenção em muitas coisas, a não ser em apertar o pedal para sair da Usina.

Passando a Usina da Traição, o asfalto se deteriora até virar uma simples estrada de terra com muitos cascalhos. Logo na ponte Cidade Jardim havia uma escada feita por alguma empreiteira que trabalhava nas margens do rio. Poderíamos usar esse acesso para sair, mas achamos que encontraríamos algo mais a frente.

Continuamos o pedal e nada de saídas, passamos por debaixo das pontes Eusébio Matoso, Cidade Universitária, Jaguaré. Nessa última encontramos outra ponte que pode ser recuperada para ser usada pelos ciclistas que queiram atravessar para o outro lado do rio.

Ponte do Jaguaré desativada
Conseguimos sair das margens apenas próximo do Cebolão, na entrada da Rodovia Castelo Branco. Fomos obrigados a atravessar a marginal, o que não foi difícil de ser feito num sábado a tarde. Na volta paramos para almoçar no Ceagesp e depois ainda pedalamos na “Ciclovia” da Faria Lima, que na verdade não passa de uma calçada no canteiro central.

Ciclovia da Faria Lima, exportado péssimos exemplos
Seria muito bom que em nossa cidade tivéssemos governantes que usassem a bicicleta. Atualmente temos governantes que só usam carros, deve ser por isso que todas as obras são feitas para beneficiá-los. Tudo que é feito para os carros tem uma velocidade surpreendente, mesmo sabendo que menos de 30% da população se desloca de carro. Já para as bicicletas, transportes públicos, ou mesmo para aqueles que andam a pé, tudo é difícil e complicado.
"Ciclovia" da Faria Lima
Mas enquanto a cidade não fica mais fácil para nós, continuamos a caça de caminhos que facilitem nossa vida.
André Pasqualini
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