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Como preparar uma bicicleta para Cicloturismo na terra
Tenho grande experiência em viagens de bicicleta, mas a maioria delas foram em estradas asfaltadas. Depois do Caminho da Fé, percebi que existem dois tipos de cicloviagens: onde o asfalto predomina e onde a terra é detentora da paisagem.
Na viagem do Caminho da Fé, em 2005, usei uma bicicleta Caloi 200, sem suspensão, aro 700, com 26 quilos de bagagem e pneus híbridos, com banda lisa no meio e cravos nas laterais. Nem preciso falar do enorme sofrimento durante toda a viagem, já que no Caminho da Fé, 90% do trajeto é realizado em estradas de terra.
Por isso resolvi preparar dois guias, uma para Cicloviagens no Asfalto e outro na Terra. Vou começar pela terra que é mais difícil, mas geralmente é mais charmosa e bonita. Nessa matéria vou mostrar como preparei minha bicicleta para percorrer a viagem São Miguel Arcanjo – Iguape, onde pedalei 180 km, sendo mais de 100 km em estradas de terra.
Para esta viagem utilizei uma Caloi Elite 27, pois procurei escolher uma bicicleta que me obrigasse a fazer o mínimo de adaptações possíveis. Um cicloturista experiente tem que levar em consideração a resistência do equipamento e o conforto, já que ele irá passar, pelo menos, 6 (seis) horas sobre ela. Evite uma bicicleta "Full", principalmente se você for levar bagagem, pois mesmo com um bagageiro de canote, possivelmente você terá problemas de impacto da roda traseira com o bagageiro.

Vamos começar a falando sobre a bicicleta: a Caloi Elite 27, uma bicicleta da linha pró da Caloi, sendo considerada top de linha. O cassete com 9 velocidades traz muitas vantagens sendo mais perceptível, nas subidas. Você nunca passou por aqueles momentos em que percebe que a relação esta muito leve, mas depois da troca percebe que ela ficou pesada demais, sentindo enorme falta de um meio termo? Um cassete de 9 velocidades faz com que a disparidade de forças entre as mudanças não seja tão significativa.
Ela já vem com pneus Maxxis Dy-No-Mite 1.95. Leves e com desempenho bom, tanto no asfalto como nas estradas de terra. Mesmo nos trechos de areia mais fina, eles responderam bem.

Relação Shimano Deore, muito precisa. Um cicloturista não precisa de desempenho, já que dificilmente pedala no limite. Sua principal preocupação tem que ser a durabilidade e precisão, já esse câmbio se comportou preciso, do começo ao fim da viagem.
Suspensão Rock-Shock Dart One, com regulagem de pressão onde você pode fazer o ajuste rapidamente, para adaptar-se as mudanças de terreno. Mais rígido no asfalto ou em trechos de terra bem compactada e sem erosões, ou mais macio, ideal para descidas em terra ou em terrenos mais acidentados.

Adaptações:
A única alteração que fiz na bicicleta, foi a troca do banco. O original da bicicleta é um Velo, duro e fininho. Como já previ que teria problemas, coloquei o banco da minha C200, um Gel Lokin de fabricação nacional.


Acessórios
Bagageiro Trek Interchange
Coloquei um bagageiro de canote, e escolhi um Trek Interchange, que suporta até 11 quilos. Minha bagagem na viagem foi de 9 quilos e o bagageiro respondeu muito bem. Como é preso no canote, ele trabalha com uma sutil flexibilidade e aparenta ser muito bem reforçado. O único contratempo desse modelo de bagageiro é que você perde a possibilidade de ajuste do Selim, já que ele deve ser parafusado o mais próximo da base possível.

O sistema de parafusamento é meio complicado, embora bem eficiente. O bagageiro não fica dançando para os lados e apresenta uma excelente firmeza. Se sua viagem realmente necessitar de muita bagagem, sugiro colocar um bagageiro de parafusar no quadro. Esse quadro da Caloi Elite já vem com roscas para esse tipo de bagageiro. Evite ao máximo bagageiros que prendem no eixo da roda, pois além de causarem transtornos numa eventual troca de pneus, eles exercem grande pressão no eixo do cubo, entortando-o.

Preço médio R$105,00
Energy Bike
Já possuía esse Energy Bike da Curtlo, um produto interessante, preso no quadro e na mesa da bike, é ideal para colocar barras de cereais e gels durante a viagem. Não aconselho colocar aparelho celular, pois não tive boas experiências. Como ele não tem um forro no fundo, faz com que seu aparelho bata diretamente no quadro, o que, dependendo das dificuldades do terreno, pode até quebrar o aparelho.

Pode ainda acontecer coisa pior, numa descida, como você estará com toda a atenção voltada para a trilha, seu celular pode pular do Energy Bike e você só notará quando estiver a quilômetros de distância do local da queda. Foi o que ocorreu comigo no Caminho da Fé em 2005, para o desespero da minha mulher, que nem havia terminado de pagar o aparelho.
Preço médio R$29,90
Bolsa de Guidão Btwin
Vi essa bolsa na Decatlhon e achei bastante interessante, simples e de fácil instalação. Com um único compartimento, deixava nessa mala a minha máquina digital, filmadora, celular e barras energéticas. Como deixo a máquina sem capinha, para facilitar na hora do registro de imagens, o contato da máquina com a filmadora acabou arranhando o visor. Mas não deixa de ser algo interessante e muito útil, principalmente quando você tem limitação de bagagem no bagageiro.

Seria ideal se essa bolsa viesse com algumas divisórias, o que evitaria o contato direto entre os equipamentos eletrônicos.

Preço médio R$69,00
Bar Ends RAVX Ergo X
Achei esse Bar Ends muito interessante quando o vi na Pedal Power. Como eu tenho um problema de dormência nas mãos, quanto mais eu variar a posição, menor a agressão que minha mão sofrerá. Esse bar ends é muito sutil e tem um formato anatômico que dá um encaixe perfeito nas mãos. Muito bom para as escaladas e com diferentes possibilidades de pegadas. O único problema é que tive que cortar a manopla para poder encaixá-lo.

Preço médio R$90,00
Aparelho GPS Garmin V
Depois que descobri o GPS, nunca mais usei um velocímetro. No meu caso, uso um Garmin V, que vem com suporte para instalar na bicicleta. Ele dá diversas informações como velocidade, tempo em deslocamento, tempo parado, tempo total, traça rotas, informa a altimetria e tudo mais. Posso jogar um track no aparelho e percorrer uma rota já percorrida por outro ciclista.

Esse aparelho custa por volta de R$500,00, mas existem diversos modelos, principalmente no Mercado Livre, tanto mais simples quanto ultramodernos.
O mais importante é preparar uma bicicleta que passe confiança para que nenhum contratempo acabe com sua viagem. Realmente pode sair meio salgado comprar tudo isso de uma vez, mas se você esta começando a praticar o Cicloturismo, vá adquirindo os equipamentos aos poucos, pois eles irão servir para inúmeras viagens, o que faz de cada aquisição um investimento.
Mas não deixe de viajar por causa do dinheiro, cuide bem da sua magrela e pedale. Vá melhorando sua bike conforme sua capacidade. As viagens por trechos asfaltados são as mais econômicas, pois exigem muito pouco da bicicleta e uma necessidade menor de acessórios. Comece por asfalto e aos poucos vá indo para a terra. Mas saiba que 50 km na terra podem ser tão puxados quanto 100 km no asfalto. Portanto leve sempre isso em consideração na hora de planejar sua viagem.
André Pasqualini
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