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Trajeto
do dia 15/04:
Salto - Laranjal Paulista
06º dia
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Foi
o primeiro dia que conseguimos
cair na estrada cedo, começamos
a pedalar as 08:30 da manhã
com um dia lindo, nem parecia
que havia caído o mundo
um dia antes. Seguimos em direção
a Porto Feliz para reencontrarmos
novamente com o Rio Tietê.
Em 97, quando passamos pela
cidade, tivemos a companhia
do Maurício. Como estamos
procurando todos que colaboraram
naquela viagem, também
o procuramos, mas infelizmente
ele não estava na cidade
neste dia. Deixamos umas lembranças
para ele e seguimos viagem.
 Saímos
de Porto Feliz a caminho da
cidade de Tietê. É
incrível mas não
existem trechos planos nessa
estrada, apenas subidas e descidas,
em média de um a dois
quilômetros de extensão
cada. Logo que chegamos em Tietê,
uma enorme chuva passava por
trás da cidade. Pensei,
“tomara que o vento não
mude, pois se mudar, mais uma
vez não conseguiremos
chegar ao destino planejado”.
Nem preciso falar que o vento
mudou né?

Em Tietê percebemos que
houve algumas mudanças
no rio. Ele ainda esta poluído,
com várias manchas na
água, mas com muito mais
vida. Dava para ver o rebojo
dos peixes na água, peixes
grandes aliás. O problema
é que eles comem de tudo,
principalmente o lixo que vem
boiando no rio. Além
das pedras e corredeiras, os
peixes também colaboram
para diminuir a poluição
do rio, rs.
Pretendíamos
chegar em Conchas, até
tínhamos tempo para isso,
só que mais uma vez avistamos
um céu negro a nossa
frente. Tentamos chegar, na
cidade de Laranjal Paulista
para aguardar a chuva passar,
pois na estrada, geralmente
não existem abrigos.
Mas chegou um momento em que
os pingos começaram a
apertar e o vento praticamente
nos empurrar para trás.
Então resolvemos voltar
alguns metros para tentar se
abrigar em um ponto de ônibus
que avistamos metros atrás.
A chuva passou e resolvemos
ficar em Laranjal Paulista mesmo.
Ai aconteceu um fato super curioso
e empolgante. Vou contar toda
a história para vocês
entenderem melhor. Em 97, ainda
estava em vigor uma lei estadual
de 1950, que proibia o trânsito
de bicicletas nas rodovias.
Quase chegando em Laranjal Paulista,
fomos parados por um guarda
rodoviário que nos proibiu
continuar a viagem, nos obrigando
a alugar uma Kombi e voltar
para São Paulo.
Então em Laranjal, alugamos
uma perua do Sr. João.
Mas ao invés de voltarmos
para São Paulo, seguimos
até Botucatu para nos
livrarmos daqueles guardas e
continuar a viagem. Para a minha
infelicidade, esqueci meu capacete
novinho, dentro da Kombi do
senhor João.
Então arriscamos e procuramos
o sr. João na cidade.
Nem pensava em pegar o capacete
de volta, mas a idéia
era reencontrar todos que colaboraram
na viagem de 97 e o sr. João
foi uma dessas pessoas. Achamos
uma casa que segundo os moradores
deveria ser dele. Então
um Sr nos atendeu. No começo
ele não conseguia lembrar
de nós, mas foi só
falar do capacete e ele: “Ah,
lembrei agora espera que o capacete
esta aqui”.
Quase caí para trás,
nem acreditei, que ele havia
guardado o capacete por mais
de 7 anos esperando o dono aparecer.
E no fundo eu sempre tive vontade
de voltar e pegar esse capacete.
Até poderia ter ido em
um final de semana, de carro,
mas havia prometido a mim mesmo
que se fizesse isso, seria de
bicicleta quando refizesse a
mesma viagem de 97.
Com isso fechamos o dia com
chave de ouro, acreditando ainda
mais nesse projeto e que vale
a pena continuar lutando para
ter um mundo melhor.
Saldo do dia:
Distância percorrida –
89.30 km
Total já pedalado –
421.55 km
Tempo de pedal do dia –
05:20:09h
Tempo de pedal da viagem –
23:24:46h
Velocidade média do dia
– 16.7 km/h
Velocidade máxima do
dia – 66 km/h
Altitude da Nascente –
1.028 m
Altitude máxima do dia
– 610 m
Altitude do destino (Laranjal
Paulista) - 480 m
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o que aconteceu em cada dia da
nossa viagem
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