Trajeto
do dia 23/04:
Araçatuba - Pereira Barreto
14º dia
Clique
aqui para ver o trajeto do dia
Quase
terminei...
 Que
beleza! Acordei todo contente
pois imaginava este ser meu
último dia de pedalada,
pois a intenção
era chegar em Itapura, concluindo
a viagem. Sabia que o caminho
seria bem longo, mas pretendia
chegar em Itapura, mesmo se
precisasse pedalar de noite.
Primeiro comecei a arrumar as
minhas tralhas e me preparar
para sair do hotel.
Se
eu seguisse direto pelas estradas
principais, teria que pedalar
uns 60 km até a cidade
de Auriflama e mais 60 km até
Pereira Barreto. De Pereira,
teria mais uns 60 km até
Itapura, ou seja, pedalaria
uns 180 km nesse dia. Acontece
que observando no mapa, existe
uma estrada que liga Santo Antônio
de Aracanguá a Pereira
Barreto, uma estrada que passa
muito próximo ao rio.
Pelo mapa, esta seria uma estrada
de terra, mas nesse mesmo mapa
existe diversas estradas que
já estão asfaltadas,
portanto resolvi procurar alguém
que conhecesse a região.
Quando
estava em Borborema, no hotel,
conheci uma pessoa de Fernandópolis
que disse conhecer bem a região.
Essa pessoa disse que esta estrada
já estava asfaltada.
Seria então uma maravilha,
pois além de economizar
uns 50 km, passaria bem próximo
ao rio Tietê. Pelo mapa,
dava para ver que passaria por
3 braços do Tietê.
Sai
então de Araçatuba
por volta das 10 da manhã
e segui em direção
a Santo Antônio do Aracanguá.
No caminho passei sobre a ponte
do Rio Tietê, de lá
observei a Praia de Araçatuba,
muitas pessoas pescando e um
dos portos da Hidrovia Tietê-Paraná.
Tirei algumas fotos, fiz algumas
filmagens e continuei viagem.
Pedalei mais uns 10 km e cheguei
na entrada de Santo Antônio.
Tive que pedalar mais uns 2
quilômetros até
chegar na cidade, como já
era quase meio dia, resolvi
almoçar lá mesmo.
Perguntei
para o pessoal de lá
sobre essa estrada alternativa
e eles me falaram que não
era nada asfaltada, aliás,
só tinha asfalto depois
de Sud Mennucci. Seriam uns
50 quilômetros de terra.
Perguntei se a estrada era boa
ao menos e todos me garantiram
ser.
Pensei,
por mais que a estrada seja
de terra, se não for
muito esburacada, até
compensa encara-la pela quilometragem
que iria economizar. Almocei
e por volta da 13:30 entrei
na estrada. No começo
já comecei a prever que
teria muitos problemas, pois
realmente a estrada era boa
para carros, mas para bicicletas...
A
estrada não é
esburacada, mas parece com estas
estradas de praia, com muita
areia fina. Como meu pneu é
para asfalto e devido a esse
fato, não conseguia pedalar
em diversos trechos, pois a
roda afundava na areia. Então
era obrigado a descer da bike
e empurra-la, mesmo assim com
muitas dificuldades. Em 3 horas
não consegui andar mais
que 20 quilômetros, e
ainda faltavam uns 30 no mínimo.
Já previa que ainda estaria
na estrada ao escurecer, se
continuasse naquele ritmo. Já
estava tentado a pedir uma carona
para a primeira caminhonete
que passasse.
Há
muitas fazendas de gado na região
e constantemente observava ao
meu lado, um monte de vacas
admirando minhas tentativas
de locomoção naquele
monte de areia. Chegando no
segundo pontilhão, vi
uma pick-up se aproximando e
pedi uma carona. Eles iriam
entrar numa fazenda logo à
frente, mas qualquer quilômetro
a menos seria lucro para mim.
Já que levava quase 10
minutos para percorrer 1 km.
Andamos 7 km e logo chegamos
ao sítio para onde eles
se dirigiam. Continuei então
pedalando na estrada e também
continuou o sofrimento.
Eram
quase 18 horas e cheguei a uma
trifurcação. Fiquei
parado sem saber o que fazer,
por alguns momentos. Logo ouvi
um barulho de carro. Era uma
lotação que havia
passado a pouco por mim. Ele
disse que deveria tomar o caminho
da esquerda para sair em Sud
Mennucci e que faltavam uns
18 km para o asfalto, mas que
a estrada era boa. Se seguisse
reto sairia na rodovia principal,
mas em compensação
acabaria voltando alguns quilômetros.
Relutei muito, tive vontade
de seguir para a rodovia, mas
resolvi seguir pela estrada
de terra.
Passei o último pontilhão
mais ainda faltava muito para
chegar em Sud. A noite caiu
e fiquei por mais de uma hora
pedalando na total escuridão,
com a expectativa de passar
alguém que pudesse me
dar uma carona. De repente começo
a ouvir um barulho na estrada.
Parece ser de um caminhão,
vejo uma luz ao fundo, ouço
umas vozes, mas nada dele me
alcançar. Meu estado
físico era lamentável,
estava até vendo miragens
na escuridão, até
óvni acho que vi. Como
o carro estava demorando a me
alcançar, resolvi parar
e esperar. Quando ele se aproximou
vi que era um trator, puxando
uma carretinha. Perguntei ao
motorista se o asfalto estava
longe e ele falou que sim. Pedi
uma carona e coloquei minha
bike na caçamba.
Já havia pedalado 53
quilômetros só
de terra. O pior que não
andei nem 5 quilômetros
na carreta e chegamos no asfalto.
Ainda havia duas opções
para chegar em Pereira Barreto.
Uma era ir pela mesma estrada
que estava e a outra era pegar
a rodovia principal. Por dentro
seriam uns 15 quilômetros
e pela pista uns 30. Mas me
falaram que por dentro pegaria
mais uns 10 km de terra novamente.
Segui então pela pista
saindo de Sud Mennucci as 19:50.
As 9 e meia da noite cheguei
finalmente em Pereira Barreto
totalmente estragado. Procurei
um hotel, jantei e desmaiei,
nem para ligar o computador
me dei ao trabalho. Havia completado
mais de 1000 quilômetros
mas não tinha nem forças
para comemorar, pois esses 50
quilômetros de terra,
com uma bike de asfalto e mais
de 26 quilos de bagagem, foram
mais desgastantes do que 200
quilômetros no asfalto.
Saldo do dia:
Distância percorrida –
121 km
Total já pedalado –
1065.07 km
Altitude da Nascente –
1.028 m
Altitude máxima do dia
– 515 m
Altitude do destino (Pereira
Barreto) - 352 m
|
Acompanhe
o que aconteceu em cada dia da
nossa viagem
|