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Trajeto
do dia 24/04:
Pereira Barreto - Itapura
15º dia
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O
Dia da Papete
Agora sim, este seria o último
dia de qualquer maneira nem
que tivesse que chegar a pé
em Itapura. Seriam mais 60 quilômetros
a pedalar e esse foi o dia da
papete. Passei um protetor solar
no corpo inteiro, e fiquei só
de bermuda de ciclista. Sai
às 8 da manhã
do hotel e fui até a
praia de Pereira Barreto. È
impressionante o investimento
de qualidade que muitas prefeituras
fazem as margens do Tietê
e em Pereira Barreto não
é diferente.
Uma praça com vários
quiosques, ciclovia, pista de
jogging. Uma água transparente
e limpa, que a mulherada deve
adorar, pois não precisa
ficar se preocupando com o sal
da água do mar que tanto
maltrata os cabelos e pele.
Muito pelo contrário,
a pele e os cabelos sentem positivamente
os efeitos da água doce.
Tirei algumas fotos da praia
de Pereira Barreto e segui viagem.
Cai na estrada e comecei a lembrar
da última vez em que
estivemos nessa estrada. São
22 quilômetros até
a SP-563. De lá pedalaria
mais uns 20 quilômetros
até a Usina 3 irmãos
e mais uns 18 até Itapura.
Na outra viagem o fato marcante
foi o vento contra absurdo,
que pegamos no primeiro trecho
da estrada e a “pirada”
do Claudio, que parou no meio
da pista, arremessou a bike
longe e começou a brigar
com o vento mandando-o que ele
parasse de soprar.
Nessa viagem o vento contra
também apareceu, só
que não constantemente.
Mas uma diferença fundamental
é que na primeira viagem,
o vento contra apareceu apenas
no primeiro trecho. Quando viramos
a direita, esse vento contra
ficou a favor, nos ajudando
na pedalada. Dessa vez o vento
contra me acompanhou durante
todo o trajeto. No primeiro
trecho um vento meio lateral
e frontal. Já previa
que seria diferente dessa vez.
No segundo trecho o vento ficou
totalmente frontal. Depois da
Usina virei a direita e o vento
“virou” comigo.
Dessa vez era eu quem estava
quase pirando. Olhava os arbustos
curvando para a minha direção
e falava, “Vira para o
outro lado, não pra cá...”
Antes de chegar em Itapura,
existe um vilarejo chamado Entre
Rios. Existem duas fortes subidas
antes do vilarejo. Lembro-me
que, na última, viagem
eu subi a primeira subida a
21 km/h e a segunda a 16km/h.
Parei na vila e fiquei esperando
o Claudio em um barzinho tomando
uma tubaína. Depois de
40 minutos o Claudio me alcançou.
Dessa vez eu é que estava
como o Claudio, pois subi variando
a velocidade entre 6 e 8 km/h.
Mas não deixei de tomar
aquela Tubaína no alto
do morro.
Depois com mais descidas que
subidas, cheguei ao trevo de
Itapura. Parei, tirei fotos
e segui para a cidade. Ainda
faltavam 6 quilômetros
mas cheguei guiado pelo instinto,
pois minhas pernas pedalavam
sozinhas.
Cheguei na cidade e procurei
o Sandro, sabia que atualmente
ele estava trabalhando com mergulho,
já que toda a cidade
foi submersa com a construção
da usina de Jupiá no
Rio Paraná e como a água
é transparente nesse
ponto do rio, o mergulho tem
um ótimo potencial nessa
região. Parei em frente
sua casa e perguntei por ele.
O seu primo apontou para um
carro que havia acabado de passar
e lá estava o cara.
Como
é bom rever os amigos,
revi como num filme tudo que
havia passado, naquele mesmo
local, anos atrás. Fui
até o bar do Seu Massarico
e pedi uma peixada divina. Que
beleza, eu sentado em frente
ao Rio Tietê, comendo
uma peixada, vislumbrando um
sol maravilhoso, várias
pessoas pescando, a garotada
se divertindo na praia.
Logo o Sandro apareceu e entreguei
vários presentes para
ele. Primeiro uma camiseta do
projeto, o meu livro, uma caneta
da NEC e até a garrafinha
do Tao do Pedal. Antes de sair
de São Paulo, o Plínio
da Tao do Pedal, me deu várias
garrafinhas para presentear
o pessoal. Só fez uma
exigência, que uma das
garrafas teria que ficar na
foz do Tietê. Promessa
feita promessa cumprida. Depois
do almoço fui curtir
uma praia e tentar pescar uns
Tucunarés. Sabia que
seria difícil mas pela
menos consegui aproveitar aquele
por do sol maravilhoso.
Durante
a viagem nos meus momentos de
solidão e reflexão,
resolvi que voltaria a Itapura,
no próximo feriado prolongado,
para gravar as narrativas da
viagem. Dessa vez iremos de
carro, é lógico.
Espero que neste dia eu possa
contar com o Well e o Claudio
que participaram também
desse projeto. Abusaremos da
hospitalidade e boa vontade
do Sandrão que irá
nos dar todo o suporte neste
final de semana e assim finalizaremos
o Projeto 2000 pelo Tietê
com chave de ouro.
 Já
havia resolvido também
que retornaria nesse mesmo dia
para São Paulo, até
para fazer uma surpresa a minha
namorada, que estava me esperando
apenas na segunda feira. Então
fui até a rodoviária
e comprei a minha passagem de
volta. O ônibus sairia
de Itapura as 20:50h.
Na verdade o momento da volta
sempre é o mais dramático,
pois nunca sabemos o que irá
acontecer, mas quase sempre
temos problemas. Alguns motoristas
dos ônibus mandam a gente
embalar as bikes, outros mandam
desmontar apenas. Já
outros falam para nós
colocarmos de qualquer jeito
no bagageiro e até nos
convidam para tomar uma cerveja
com eles.
Só que dessa vez aconteceu
algo que imaginável até
então. Simplesmente o
motorista se recusou a levar
a bicicleta. Disse que só
se ela estivesse na caixa e
que não a levaria de
jeito nenhum. De uma maneira
muito estúpida e ríspida,
sem dar margem a qualquer tipo
de negociação.
Ficamos tentando argumentar,
ligamos para a empresa que ao
invés de ajudar só
piorou as coisas. Primeiro o
motorista falou que precisaria
embalar a bike, então
pegamos uma lona para embalarmos.
Fiquei tentando conversar com
a atendente da empresa, (Reunidas)
que disse que seria obrigado
a apresentar a nota fiscal da
bicicleta para poder embarca-la.
Um total absurdo, pois eu até
tenho a nota, mas ela esta em
São Paulo. E se eu estivesse
com a minha outra bike que comprei
de segunda mão? Quando
a atendente falou que não
levaria minha bicicleta de maneira
nenhuma, o motorista abriu um
sorriso sarcástico de
felicidade, como se pensasse,
“se fud%#&$#&...
eheh”. Faltou muito pouco
para eu não descarregar
toda minha fúria naqueles
dentes amarelados.
Depois de uma viagem maravilhosa
como essa, não acreditava
estar passando por isso. O Sandro,
vendo meu estado, tentou me
acalmar e sugeriu até
que eu ficasse, mas não
seria impossível, pois
queria muito chegar em São
Paulo no domingo de manhã.
Então eu acabei deixando
a bicicleta com ele em Itapura
e voltei para casa. Resolveria
então o problema da bicicleta
na segunda feira. Estou escrevendo
esse relato na quarta-feira
e ainda não consegui
trazer minha bicicleta de volta.
Bem pessoal, este foi o final
da viagem e espero que vocês
tenham curtido esses relatos.
Quero também agradecer
a todos que nos acompanharam
por todos esses dias e até
aqueles que cobravam nossos
relatos durante a viagem, enquanto
o site esteve fora do ar. Também
quero agradecer todos aqueles
que nos apoiaram durante toda
a preparação para
essa viagem. Foi um sonho realizado,
que seria impossível
sem a ajuda de vocês.
Agora é só aguardar
que em breve estarei apresentando
os frutos desse trabalho.
Valeu mesmo pessoal.
Saldo do dia:
Distância percorrida –
61 km
Total já pedalado –
1126.07 km
Altitude da Nascente –
1.028 m
Altitude máxima do dia
– 414 m
Altitude do destino (Itapura)
- 285 m
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