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Aparecida do Norte : Maio de 1998

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Nossa última viagem juntos foi para Aparecida do Norte (pagar uma promessa minha). Saímos no dia 05 (sexta-feira) de junho de 1998, as 9:00h da manhã da casa do Claudio na Vila Mariana onde caímos na Dutra, sentido Rio.

Logo no início, na região de Guarulhos, havia algumas obras na pista, deixando apenas uma faixa para rolagem dos carros. A velocidade deles não ultrapassava os 40 km/h. Resolvemos então pegar o vácuo de algum caminhão. Logo de cara, o Claudio conseguiu, pegar o vácuo de um caminhão, mas eu não o alcancei, ficando para trás tentando pegar algum vácuo. Durante algumas tentativas, passou uma Pick-up por mim, buzinando.

Mais pra frente, o motorista do carro parou em um ponto da obra, quando eu passei, ele, carinhosamente, me dirigiu as seguintes palavras: "quer morrer moleque!". Tão prontamente eu gentilmente, retribui com outras carinhosas palavras: "Vai se @#%$#...", nessa hora consegui finalmente pegar o vácuo de um caminhão.

Passei a girar entre 40 e 45km/h, durante as obras, mas quando a pista aumentou, a velocidade do caminhão também, chegando a bater 65km/h. Eu continuava atrás. Andamos juntos por uns 5 km, mas na primeira subida arriei e o caminhão foi embora.

Passei a procurar o Claudio, mas não o via. Como estava com telefone, fiquei esperando alguma ligação para saber onde ele estava. Não demorou muito e avistei um ciclista bem atrás de mim. Era o Claudinho. Ele havia parado para me esperar quando viu um caminhão passar comigo atrás, ele tentou alcançar, mas eu sumi na pista. Logo depois ele foi parado por um cara de pick-up.

O motorista já chegou se desculpando, dizendo que ele não tinha dito aquilo por mau, e o Claudio logo deduziu que ele deveria ter falado comigo e não com ele. O motorista era segurança da Nova Dutra e nos aconselhou a andar na mão contrária, assim, caso algum motorista jogasse o carro em cima da gente, nos poderíamos nos jogar na grama. Infelizmente não concordo com este ponto de vista pois se alguém tentar me "assassinar" não será dessa maneira que eu que tentarei evitar, prefiro confiar naqueles motoristas que respeitam os ciclistas, na minha opinião, são 99% (pena que os 1% são os que nos mata).

Chegamos em São José dos Campos por volta da 1 hora da tarde. Como somos atletas com uma vida muito regrada e uma alimentação muito balanceada, paramos para almoçar. Pedimos então um nº 4 com cheeder, um Mc-fruit de maracujá, mais um nº 1 com suco de laranja. De quebra foram mais 4 cheesburgueres para completar o espaço sobrando no estômago.

Depois de uma alimentação bastante balanceada, seguimos pela Dutra, passando por Taubaté. Antes uma pequena parada para fazer a produção de uma foto, passamos por aparecida, chegando no final da tarde em Guaratinguetá (Guará para os íntimos). Como já era início de noite, resolvemos dormir em um hotel em Guaratinguetá para no dia seguinte conhecermos a Basílica.

No sábado fomos até a Basílica como prometido. Conhecemos a deslumbrante Igreja como vocês poderão conferir nos vídeos, tentei explicar mais ou menos a história do descobrimento da imagem com base em outras histórias que me contaram, espero que me desculpe se falei alguma asneira, mas o que vale é a intenção.

Na hora de ir embora da Basílica, nos deparamos com um tumulto, onde havia uma ambulância e um monte de ciclistas. Assustados, pensamos que houvesse algum acidente ou coisa assim. Ao chegar no bolo, soubemos que ali aconteceriam duas corridas, uma de pedestres e outra de ciclistas. Perguntamos quanto era a inscrição, como era de graça, topamos na hora.

Fomos até um bar onde fizemos um lanche rápido, tiramos as tralhas desnecessárias, como bagageiro, alforge, etc. e fomos para o grid de largada. Como nossas bikes não estavam preparadas para uma corrida, resolvemos participar sem nenhuma pretensão de vitória, pois, entre os competidores, haviam vários ciclistas com speed (bicicletas próprias para corridas). Antes da largada, o Claudio chegou até mim e disse para pedalar como um louco, colar no vácuo dos que saírem mais rápido e aliviar somente depois que formar um pelotão.

Enquanto aguardávamos a largada, um ciclista, que provavelmente, teria tomado aquele famoso isotônico de Pirassununga, com uma bike bem detonada, tanto é que para pedalar nela é necessário tomar uma anti-tetânica antes, para se ter uma idéia, o cambio era SunRace daqueles de “alcinha”.

Na hora falei para o Claudio que esse cara iria atrapalhar um de nós. Dito e feito, na largada o cara se enroscou no meu amigo e eu fui embora. Depois da “muvuca” logo na primeira subida formou-se o pelotão. Neles estavam eu, o Claudio e justamente os dois ciclistas de speed.

Como nos distanciamos bastante do resto do pessoal ninguém resolveu arriscar um tiro, então fomos todos juntos até quase o final. Quando faltavam dois quilômetros para a chegada, BUMM, meu pneu furou. Meu amigo gritou, “O que foi?” Eu gritei, “Vai embora que eu já era!”.

Fui obrigado a parar e empurrar minha bike até a linha de chegada, só restou torcer para o Claudio levar o caneco. A causa da minha desistência foi um cravo de ferradura de cavalo, muito comum no local, devido as romarias para a cidade. Quando cheguei, para a minha alegria, lá estava o Claudião. Num sprint maluco de 58km/h ele deixou os dois de speed para trás, cruzando a linha de chegada em primeiro lugar. O problema foi trazer um troféu de mais de 1 metro no bagageiro da bicicleta por mais duzentos quilômetros.

No dia seguinte voltamos a todo vapor, chegando no começo da noite na casa de um amigo do Claudio na Vila Mariana marcando o final de mais uma emocionante trip. Pedalamos mais de 200 km na ida e mais 200 na volta, com uma média de 30km/h.

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