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Itú - Dias 29 e 30 de julho de 1996

Segunda etapa da fase de preparação do Projeto 1000 pelo Tietê. Na primeira etapa, conhecemos o Tietê antes de São Paulo. Na segunda, nossa intenção era conhecer o rio depois e descobrimos o que esta megalópole é capaz de fazer para destruir o Rio Tietê.

A viagem iniciou-se em Embu das Artes. Pedalamos até o centro do Embu e seguimos em direção a Raposo. Naquela época o Rodoanel nem nos planos estava. A ligação mais conhecida entre a BR-116 e a Raposo Tavares, naquela época, era esta estrada que começa no centro do Embu. Seguimos por esse enorme morro até sairmos na Raposo Tavares. Mais adiante passamos por Cotia, virando a direita sentido Itapevi saindo na Castelo Branco em Barueri.

Entramos na Estrada dos Romeiros (Rodovia Marechal Rondon) onde tivemos nosso primeiro encontro com o Rio. Toda aquela cristalinidade que encontramos na nascente desapareceu. Neste dia o rio estava muito escuro, parecia petróleo. A Estrada dos Romeiros (ou Estrada Parque) é simplesmente maravilhosa. Embora o relevo dificulte um pouco a prática do ciclismo, mesmo assim compensa pela paisagem. Passamos por Santana de Parnaíba e antes de chegar em Pirapora de Bom Jesus, existe uma enorme subida de quase 2 km. Em contrapartida a descida é alucinante.

A cidade de Pirapora fica bem as margens do rio. Antigamente existiam barcos que levavam os romeiros para passeios na cidade. Na mesma ponte que fiz aquela brincadeira de ficar pendurado, meses atrás foi tomada por espuma, bloqueando a travessia de carros e pedestres.

Continuando o passeio, seguimos até Cabreúva. O rio estava completamente sujo com muitas espumas. Passando por Pirapora, o rio começa a sofrer um maior número de acidentes naturais, aumentando a quantidade de espumas. Segundo relatos dos moradores, várias foram as vezes que a espuma invadiu a pista. Muitas vezes ocasionando acidentes graves.

Chegamos em Itu no começo da noite. Cansados, ficamos em um hotel no meio da cidade, mas antes de qualquer coisa, fomos jantar uma bela redonda (pizza).

Como pretendíamos voltar de ônibus no dia seguinte, não nos preocupamos tanto com o horário. Acordamos tarde e ficamos tranqüilos. Passeamos pela cidade, tiramos aquelas fotos de praxe, a todos que vão a Itu tiram. Por volta das 12:00 sugeri que almoçássemos. Mas o Claudio queria conhecer uma gruta, que fica entre Itu e Cabreúva na estrada dos Romeiros. Resolvemos ir, e tentar achar algum lugar próximo para almoçar.

A outra preocupação era com o ônibus, mas o Claudio falou para a gente pegar um em Cabreúva. Concordei e seguimos até a gruta. No caminho tiramos diversas fotos do rio. Havia muitas espumas naquele dia, conforme vocês poderão ver nas fotos. Chegamos na gruta, mas não havia nenhum lugar próximo para comer. Tiramos as fotos e fomos para Cabreúva. Chegamos por volta das 15:00h. Achamos um self-service e coloquei 1 quilo de lasanha no prato e mandei ver. Não estava muito preocupado, pois iríamos voltar de ônibus, mas em Cabreúva, não havia uma linha para São Paulo.

Foi quando o Claudio sugeriu algo que ele já tinha em mente, mas como eu estava com a idéia fixa de voltar de ônibus, ele foi me enrolando aos poucos. Disse para a gente ir até aonde agüentássemos. Só de imaginar pegar todas aquelas subidas da estrada dos romeiros já entrava em pânico. Então sugeri ao Claudio tentarmos pegar uma estrada de Pirapora até Araçariguama. Assim sairíamos perto da Castelo Branco.

O problema que não tem uma estrada nem no mapa. Fizemos algumas perguntas em Pirapora e nos falaram que existia um caminho sim. Completamente com a cara e a coragem, entramos em uma estrada de terra. O problema é que assim que entramos na estrada, começou a escurecer. Nossas lanternas, para variar, de nada ajudaram. Depois de muitos morros, contando apenas com o nosso senso de direção e com a ajuda de Deus saímos, não sei como, na Castelo Branco.

Paramos no Castelinho da Pamonha e para tomar um caldo de cana e seguimos até Itapevi para sair em Cotia. Logo que chegamos na Raposo Tavares, ao lado do posto havia uma pizzaria. A promoção dizia que a pizza de Mussarela custava apenas R$6,00. Mais uma parada para abastecer e continuamos para finalmente chegar na entrada da minha casa. Ainda restavam uns 20km para o Claudio, mesmo assim ele seguiu firme enquanto eu cheguei acabado.


Saldo da viagem: 238 Km rodados em 11:38h, média de 20,5 Km/h e máxima de 69 Km/h.