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EStrada de manutenÇÃo da rodovia imigrantes

Junho de 2007

Será que você tem o vírus também? Bem, se esta lendo esse texto, provavelmente deve ter, pois possivelmente você está em um site onde a bicicleta é a protagonista. Uma pessoa normal, que em estado pleno de sanidade, numa manhã fria e chuvosa ficaria embaixo do cobertor. Mas esse vírus é capaz de fazer essa pessoa acordar as 6 da manhã, pegar sua bicicleta e encare uma viagem de mais de 80 quilômetros, que apesar da chuva e do frio, dificilmente se arrependerá de ter saído de casa.

Algo similar ocorreu nesse final de semana, comigo e com meu mais novo amigo de pedalada, o Maurício. Como tinha um convite para uma festa no litoral, resolvi fazer com que meu deslocamento fosse mais prazeroso do que ser obrigado a ficar preso dentro de um carro por duas horas. Falei para a minha mulher ir de carro com a família e lá fui eu, de bicicleta. Convidei o pessoal da lista do CAB, onde apenas o Maurício Spadafora deu certeza, pelo menos teria a cia de mais um ciclista.

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Marcamos um encontro no Rancho da Pamonha no km 48 da Imigrantes, que fica a menos de 2 quilômetros da entrada da Estrada de Manutenção. Como o próprio nome diz, é uma estrada utilizada pelo pessoal da Dersa e da Ecovias para a manutenção das duas pistas da Imigrantes, principalmente em seu trecho de serra.

Saí de Moema as 8 da manhã, com um tempo nublado, mas com uma temperatura agradável. Para evitar a Bandeirantes e o trecho urbano da Imigrantes, preferi seguir até a Cupecê, e de lá acessar a Imigrantes próximo ao km 18, já em Diadema. Quando estava entrando na Imigrantes recebi um telefonema do Maurício, que queria confirmar se eu iria mesmo, pois estava garoando forte próximo ao topo da Serra. Claro que não seria uma chuvinha que iria abortar nossa viagem.

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Como o Rancho da Pamonha fica no sentido Litoral-São Paulo, imaginando os riscos que correria ao tentar atravessar a rodovia, preferi acessar a Interligação da Rodovia Imigrantes com a Anchieta, com isso acessei o acostamento pela contra mão por um trecho de aproximadamente 2 km. Embora não goste nem aconselho a pedalarem na contra mão, medindo os riscos de uma travessia, preferi pedalar por esse curto trecho.

Lá chegando, depois de 42 km, debaixo de chuva, encontro nosso amigo Maurício que da mesma maneira que eu, estava descendo com a família para o litoral. Mandamos a mulherada cair na estrada de carro e seguimos de bike. Eu ficaria em Santos e ele na Praia Grande.

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Durante a semana nos aconselharam a seguir pela estrada de terra paralela a rodovia, para evitar os guardas, então vamos lá. O acesso é bem complicado, logo na entrada do Rancho da Pamonha, nem dá para avistar a estrada, completamente tomada pelo mato. Com muita atenção dá para perceber a trilha e metros a dentro, a pista fica mais larga e dá para perceber os trilhos no chão.

Muito barro e chuva, seguimos por quase dois km até uma intersecção com uma rua asfaltada, lá estava a Estrada de Manutenção. Como estávamos muito próximos da rodovia, fomos até a Imigrantes para saber se havia sido válido pegar todo aquele barro. Não havia ninguém por perto e o acesso é bloqueado por barricadas de concreto, onde até moto tem dificuldades de passar. Sinceramente compensa seguir pelo asfalto e se por acaso algum guarda implicar, basta voltar e encarar a terra.

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A estrada parece abandonada, onde muitas fezes é tomada pela mata, mas o que impressiona é o silêncio, chega de ouvir barulho de carros e caminhões. Mesmo com a chuva e neblina, uma descida maravilhosa, parecia que estava pedalando pelos Alpes. No começo a estrada é um misto de asfalto judiado, cascalho e até terra, mas passando uns 2 quilômetros seguimos com asfalto de qualidade até o final.

O visual é impressionante, embora eu esteja mais acostumado com a descida pela estrada velha, via com mais de 100 anos, onde há trechos com calçamentos originais, algumas construções da época e muita história, na Estrada de Manutenção encontramos contrastando com a paisagens, oponentes viadutos, túneis de acesso a via principal e muito verde em estado preservado. Um belo visual dos vales, desfiladeiros, cachoeiras. Belezas que passam completamente desapercebidas pelos milhares de motoristas que utilizam as rodovias principais.

Na Imigrantes não vemos a hora de chegar, já de bicicleta pela Manutenção, sentimos uma frustração quando acaba e temos que voltar para a realidade, vias lotadas de carros, onde você é visto como um estorvo, desrespeitado e tudo mais com que estamos acostumado em nosso dia a dia.

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O final da manutenção é lá perto da Anchieta, muito próximo da saída do Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos). A estrada fica dentro do Parque da Serra do Mar e lá em baixo, tem alguns quilômetros por trilhas e estradas agradáveis. Logo que cruzamos a portaria, entramos dentro de um bairro humilde que pertence a Cubatão e logo em seguida chegamos na Anchieta. Não demorou muito para a tranquilidade acabar, bastou chegar na via de acesso a Anchieta para um caminhão jogar seu brinquedo em cima do Maurício.

Seguimos pela Anchieta direto até chegarmos em Santos. Lá seguimos pela ciclovia (que luxo) até ela simplesmente acabar... Isso mesmo ela acaba e tem uma seta enorme dizendo que é proibido seguir em frente mas não há sinalização dizendo qual caminho seguir, deviam colocar uma placa assim “Pare e comece a chorar”. Típica ciclovia para motorista ver, faz uma na orla, outra numa avenida e você que se vire para ir de uma para outra.

No túnel havia uma placa horrível proibindo ciclistas, dizendo para descermos da bicicleta, subir uma escada e seguir pela estreitíssima passagem de pedestres. Quando vou ver uma placa proibíndo carros? Nem sei se ela existe, mas estou cansado em ver um monte de restrições a ciclistas, enquanto os carros são os verdadeiros donos das cidades, praticamente intocáveis.

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Naquela situação, o mais coerente seria obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade, estreitar as faixas para fazer uma ciclofaixa e não obrigar o pedestre a se espremer com um ciclista na passagem. Mas como sempre, “jamais” nossas autoridades pensam em “prejudicar o bom fluxo do trânsito” e preferem colocar ciclistas e pedestres em risco. Eu iria subir a passarela, mas como o Maurício seguiu pelo túnel, fui atrás.

Depois de encararmos o trânsito de Santos da mesma maneira que fazemos em São Paulo até chagarmos na Orla. Paramos para uma água de côco, um lanche rápido e um até breve, pois a descida foi realmente muito agradável e com certeza, não será a última.


André Pasqualini

Tracks para GPS da viagem (formato trackmaker)

Arquivo kml para ver o trajeto no Google Earth