mongaguá
: abril de 1998
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Outra viagem importante
foi para Mongaguá.
Descemos eu (André),
Claudio e um terceiro
amigo, o Neto, em direção
do litoral, na noite de
08 de abril de 1998. Nosso
trajeto na ida foi descer,
"clandestinamente"
a estrada Velha de Santos,
como sabíamos que
era proibido, usamos uma
"técnica"
que sempre dava certo.
Descer de madrugada e
pegar o guarda dormindo.
A princípio, calculamos
passar da barreira por
volta da 1 hora da manhã,
pois nesse horário,
provavelmente o guarda
estaria dormindo. Dito
e feito, mais ou menos
uns 500 metros antes da
barreira, descemos e fomos
empurrando as bikes. Chegando
próximo da barreira
peguei a bike do Claudio,
enquanto ele afastava
o cavalete. Atravessamos,
silenciosamente, fechamos
a barreira e continuamos
pela estrada, sem acordar
o guarda.
Para a nossa surpresa,
chegando mais abaixo,
encontramos três
pessoas que também
atravessaram a barreira,
mas devido à falta
de experiência,
eles chegaram muito cedo,
por volta das 8 da noite
e ficaram xavecando o
guarda até a meia
noite, e ainda por cima,
tiveram que dar um "café"
para poderem passar.
No grupo havia dois homens
na faixa dos 35 a 40 e
um adolescente de 16 anos,
este o filho de um deles.
Esta visão fez
eu sonhar com a mesma
cena, daqui a alguns anos,
mas com meu filho (ou
filha). Como já
sabíamos de outras
viagens, existem dois
pontos na estrada velha
onde a pista havia sumido
e um rio a atravessava.
Nossos novos amigos não
sabiam do estado da pista,
pois era a primeira vez
faziam este trajeto. Também
desconheciam os perigos,
como fortes declives,
curvas fechadas, trechos
de paralelepípedo
em descida, entre outros.
Demos algumas dicas a
eles para terem cuidado,
mas acho que eles ficaram
assustados demais até
demais, pois eles desceram
muito devagar. Acho que
se eu tivesse um filho
teria a mesma ou até
mais prudência.
Chegamos ao primeiro
desbarrancamento, que
a cada viagem que passa
piora. Começamos
um trabalho em equipe.
Desmontamos os alforges
das bicicletas e atravessamos,
carregando peça
por peça, quando
estávamos quase
terminando chegaram nossos
amigos. De cara, percebemos
que eles teriam muitas
dificuldades para atravessar
a barreira, e é
claro que ajudamos.
Ao carregar as bikes
deles, não tive
como não notar
uma diferença substancial.
De todas as bikes a mais
leve era a minha, seguida
pela do Claudio e depois
pela do Neto, sendo que
as bikes deles, eram muito
mais pesadas. O curioso,
pelo que percebo, eles
não economizaram
dinheiro com bicicletas
e peças, tinham
até velocímetro
que media altitude. Mas
garanto que foi pura falta
de experiência,
pois nós já
passamos por isso. Não
existe, no Brasil, uma
bike que saia de fábrica,
feita sob medida aos cicloturistas,
por isso que muitos falam
que suas bikes são
“híbridas”.
Na hora de prepararmos
nossas bicicletas para
o cicloturismo, temos
que montar uma, de preferência
sob medida, e não
comprar uma qualquer,
e sair pedalando.
Passamos pela primeira
barreira. Não andamos
muito e encontramos a
segunda, por sinal, bem
pior que a primeira. Passamos
pela segunda e seguimos
até o final da
estrada, saindo do lado
da fábrica da Petrobrás
em Cubatão, um
cenário que lembra
o Exterminador do Futuro
2, por causa das instalações
da siderúrgica.
Entramos na Pedro Taques,
e nossos amigos devem
ter ido para o Guarujá,
pois nos afastamos logo
depois da segunda barreira.
Levamos, mais ou menos
uma hora para chegar no
trevo de Mongaguá.
Chegando na casa do Neto
por volta das cinco da
manhã.
A subida foi no domingo,
juntamente com o trânsito
que normalmente há
na subida da serra. Houve
um pequeno dilema entre
nós, sobre o caminho
a seguir. Eu queria subir
a Imigrantes, amparado
pelo novo código,
este que nos autoriza
a andar em qualquer via,
mas meus amigos, receosos,
queriam subir pela Mogi-Bertioga,
o que aumentaria nosso
trajeto em aproximadamente
uns 50km.
Nessa hora, os números
falaram mais alto e resolvemos
arriscar. Os primeiros
guardas a gente simplesmente
os cumprimentava e continuávamos,
para um certo espanto
deles. Mas a parada foi
inevitável, ou
melhor, "as paradas",
pois houve duas.
Como a maioria dos guardas
não tinham conhecimento
do novo código,
tivemos que atualiza-los.
O primeiro achou interessante,
e como ele também
era ciclista confiou na
gente e nos liberou logo,
mas o segundo, indignado,
só nos liberou
depois que mostramos o
artigo no novo código.
No total, levamos apenas
quatro horas para chegarmos
a São Paulo, e
pelo visto, fomos um dos
primeiros a subir a serra
pela Imigrantes depois
do novo código.
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